. Que ‘para a fonte no caminho de Shur’ signifique que esse vero era dos que procedem das coisas do conhecimento, é o que se vê pela significação da ‘fonte’, do ‘caminho’ e também de ‘Shur’. A ‘fonte’, como foi dito, significa o vero; o ‘caminho’ significa o que conduz ao vero e que procede do vero, como já foi exposto (n. 627); mas ‘Shur’ significa o que pertence a tal conhecimento, que ainda está, por assim dizer, no deserto, isto é, que ainda não adquiriu vida. Dos veros provenientes das coisas do conhecimento se diz adquirirem vida quando eles se juntam ou se associam aos veros nos quais influi o celeste do amor; é essa a origem da vida mesma do vero. Há conjunção de coisas, por conseguinte, da verdade, assim como há conjunção de sociedades no céu as quais elas até correspondem; porque o homem, quanto a seus interiores, é uma sorte de pequeno céu; as coisas, ou as verdades, que não foram conjuntas segundo a forma das sociedades celestes, ainda não adquiriram vida, porque antes dessa conjunção o celeste do amor procedente do Senhor não pôde influir convenientemente; elas começam a receber a vida quando há forma semelhante dos dois lados, ou quando o pequeno céu do homem é a imagem correspondente do Máximo Céu; ninguém antes disso pode se dizer homem celeste. [2] O Senhor, Que de Si mesmo devia governar todo o céu, repôs em uma tal ordem os veros e bens em Seu Homem Externo, ou em Sua Essência Humana, quando Ele estava no mundo; mas como Ele percebeu que o Seu primeiro Racional concebido não era tal (ver vers. 4 e 5), Ele cogitou e percebeu a causa disso: é que os veros naturais, que tinham tido por origem as coisas do conhecimento, não tinham ainda adquirido a vida, isto é, não tinham sido postos nessa ordem celeste restabelecida. Além disso, os veros da fé nunca têm vida, exceto se o homem vive na caridade; todos os veros da fé fluem da caridade e estão na caridade; e quando estão na caridade e provêm da caridade, eles têm a vida; a vida está na caridade, nunca ela está nos veros sem a caridade. [3] Que ‘Shur’ signifique o que pertence ao conhecimento que ainda não adquiriu vida, é o que se torna evidente por sua significação; com efeito, Shur era um deserto longe do mar de Suph, portanto, voltado para o Egito, como se vê em Moisés: “Moisés fez Israel caminhar do mar de Suph, e saíram para o deserto de Shur; daí andaram três dias no deserto e não acharam águas” (Êx. 15:22). Que Shur estava voltado para o Egito, é o que se vê também em Moisés, onde se trata dos pósteros de Ismael: “Habitaram desde Havillah até Shur, que [está] à face do Egito” (Gn. 25:18); e em Samuel: “Feriu Saul Amalek, desde Havillah até onde se vem a Shur, que [está] à face do Egito” (1Sm. 15:7); e em outro lugar: “Davi se espalhou sobre os gesuritas, e os gersitas e os amalequitas, que habitavam a terra desde o século, por onde se vem a Shur e até a terra do Egito” (1Sm. 27:8); por essas passagens, pode-se ver que Shur significa o primeiro do conhecimento e de fato tal coisa do conhecimento que está ainda no deserto, ou que ainda não foi conjunta aos outros segundo a sociedade celeste; por isso o Egito em face do qual ele estava, significava o conhecimento em todo sentido, como se explicou antes (n. 1164, 1165, 1186, 1462).