. ‘Tu és o Deus que me vê’; que signifique o influxo, é o que se vê pelo que acaba de ser dito. A intuição do superior no inferior, ou o que é o mesmo, do interior no exterior, é chamada influxo, porque se faz pelo influxo; é como a vista interior no homem: se essa vista não influísse continuamente na vista [ou visão] externa, ou seja, na vista dos olhos, nunca a vista dos olhos poderia abranger nem discernir objeto algum, pois é a vista interior que, pelos olhos, enxerga os objetos que os olhos veem, e nunca são os olhos, ainda que assim pareça. Daí se pode também concluir em que falácias dos sentidos se acha o homem que crê que os olhos veem, quando, todavia, é a vista de seu espírito, ou a sua vista interior, que vê por intermédio dos olhos. [2] Os espíritos que estavam comigo viram por meus olhos, tão bem como eu mesmo, os objetos que estão no mundo (do que se tratou no n. 1880). Contudo, alguns dentre eles, que estavam ainda nas falácias dos sentidos, imaginavam vê-los pelos seus próprios olhos, mas se lhes mostrou que não sucedia tal coisa, porque tendo eu fechado os olhos, eles nada mais viram neste mundo atmosférico. É também o que se dá com o homem: não são os seus olhos que veem, mas é o seu espírito que vê pelos olhos. É também o que pode ser verificado pelos sonhos, nos quais o homem vê às vezes como de dia. Contudo, a mesma coisa se passa em relação a essa vista interior, ou a essa vista do espírito; ela não vê por si própria, mas vê por uma vista ainda mais interior do que ela, ou pela vista de seu racional; também não é o racional que vê por si mesmo, mas há uma vista ainda mais interior que pertence ao homem interno, de que se tratou (n. 1940); acresce ainda que não é mesmo o homem interno que vê, mas é o Senhor que vê pelo homem interno; só Ele vê, porque só Ele vive e faz com que o homem veja e que lhe pareça ver por si mesmo. É assim que as coisas acontecem em relação ao influxo.