. ‘Quando Hagar pariu Ismael para Abrão’; que signifique quando a vida da afeição dos conhecimentos gerou o Racional, é o que se vê pela significação de ‘Hagar’, que é a vida da afeição dos conhecimentos; e pela significação de ‘Ismael’, que é o primeiro Racional concebido, de que acima se tratou. Como neste capítulo se tratou do racional do homem e foi descrito qual ele é quando são os veros somente que o constituem, e também se descreveu qual ele é quando se constitui dos bens e dos veros provenientes dos bens, cumpre saber que nunca o racional pode ser concebido e nascer, ou ser formado, sem as coisas do conhecimento e as cognições; mas as coisas do conhecimento e as cognições devem ter como fim o uso; quando o uso é o seu fim, elas têm como fim a vida, porque toda vida pertence aos usos, porque toda vida pertence aos fins; se essas coisas do conhecimento e essas cognições não são acrescentadas ao que se sabe em razão da vida dos usos, elas não são de utilidade alguma, por não serem de uso algum. [2] É por essas coisas do conhecimento e essas cognições, quando elas são sós, sem a vida do uso, que se forma um racional tal qual ele foi descrito: semelhante a um onagro, rabugento, ardente no combate, tendo uma vida ardente e seca proveniente de uma certa dileção pelo vero manchado pelo amor de si; mas quando tais coisas do conhecimento e tais cognições têm por fim o uso, elas recebem a vida oriunda dos usos, mas uma vida tal qual é o uso. Os que adquirem cognições para se aperfeiçoarem na fé do amor, pois a verdadeira e real fé é o amor ao Senhor e para com o próximo, esses estão no uso de todos os usos e recebem do Senhor a vida espiritual e celeste; e quando estão nessa vida, estão na faculdade de perceber tudo que pertence ao Reino do Senhor; todos os anjos estão nessa vida, e por estarem nessa vida, eles estão na inteligência mesma e na sabedoria mesma. * * * * * * *