. Quanto ao que diz respeito a coisa de que se trata, a saber, que é do Senhor que procede todo bem, assim como todo vero proveniente do bem, é uma verdade constante. Os anjos estão na percepção dessa verdade a ponto de perceberem quanto de bem e de vero que existem pelo Senhor, e quanto de mal e de falso que existem por eles mesmos. Eles até fazem essa confissão diante das almas noviças e diante dos espíritos que duvidam. Muito mais ainda, eles confessam que é pelo Senhor que eles são mantidos desviados do mal e falso proveniente do seu proprium e que eles são mantidos no bem e vero pelo Senhor; eles percebem até a retenção mesma e o influxo mesmo (ver n. 1514). Mas se o homem crê que de si mesmo ele faz o bem e que de si mesmo ele pensa o vero, é por uma aparência, porque ele se acha em um estado de percepção nula e na maior obscuridade quanto ao influxo; por isso ele conclui a partir da aparência, e até da falácia, da qual ele nunca se deixa desviar enquanto crê só pelos seus sentidos e enquanto ele raciocina a partir dos sentidos para se certificar se uma coisa é, mas, apesar de ser assim, o homem deve, contudo, fazer sempre o bem e pensar o vero como de si mesmo, pois de outro modo ele não pode ser reformado nem regenerado; a causa por que é assim, ver n. 1937, 1947. [2] Neste versículo trata-se da Essência Humana do Senhor, que deve ser unida à Sua Essência Divina, e que todo bem e todo vero viriam assim de Sua Essência Divina por meio da Sua Essência Humana até o homem, é isso um arcano Divino que poucos creem, porque não o compreendem, pois se pensa como o Divino Bem pode chegar ao homem sem o Humano do Senhor unido ao Divino; mas já se mostrou, em poucas palavras (n. 1676, 1990), que isso é impossível; a saber, que o homem, pelas cobiças nas quais ele se mergulhou e pelas falsidades pelas quais ele se cegou, afastou-se de tal modo do Divino Supremo, que nunca teria havido influxo do Divino no racional de sua mente se não fosse pelo Humano que o Senhor devia unir, em Si, ao Divino; é por Seu Humano que se operou a comunicação; porque assim o Divino Supremo pode vir para o homem, o que o Senhor diz claramente em muitos lugares, a saber, “que Ele mesmo é o caminho e que não há acesso ao Pai senão por Ele mesmo”; é isso agora que se diz aqui: que d’Ele, a saber, do Humano unido ao Divino, procedem todo bem e todo vero.