. Que ‘a tua semente depois de ti’ signifique que Ele dará aos que tiveram fé n’Ele, é o que se faz evidente pela significação da ‘semente’, que é a fé, como se viu (n. 1025, 1447, 1610); a saber, que é a fé da caridade, como se disse (n. 379, 389, 654, 724, 809, 916, 1017, 1176, 1258). Não têm a fé da caridade, por conseguinte, não são a semente aqui designada, os que põem o mérito nas ações de sua vida, porque eles querem ser assim salvos não pela Justiça do Senhor, mas por sua própria justiça. Que neles não há fé da caridade, isto é, nenhuma caridade, é sabido, pois eles se preferem aos demais e, por isso, consideram a si próprios, e não consideram os outros senão tanto quanto os outros os servem; e os que não querem servi-los, eles os desprezam ou odeiam; assim, pelo amor de si eles desunem e nunca associam e, por consequência, destroem o que é celeste, a saber, o amor mútuo, que é o fundamento do céu, porque é neste amor que subsiste e consiste o céu mesmo, assim como toda a associação e a unanimidade do céu. Com efeito, tudo que destrói a unanimidade na outra vida é contra a ordem do céu mesmo e conspira assim para a destruição do todo; tais são os que põem o mérito nos atos de sua vida e atribuem a si a justiça; estes são em grande número na outra vida. [2] Às vezes eles brilham pela face como pequenas tochas, mas de um fogo fátuo que é produzido por sua própria justificação, mas eles são frios; às vezes são vistos correndo de todos os lados e confirmando o seu próprio mérito segundo o sentido literal na Palavra, tendo ódio aos veros que pertencem ao sentido interno (n. 1877); a sua esfera é intuitiva deles próprios, por conseguinte, destruidora de todas as ideias que não tendem a se considerar a si mesmo como uma sorte de divindade. A esfera de muitos desses espíritos reunidos é tão destruidora que nada aí há que não esteja em inimizade e em hostilidade, por isso que, cada um querendo a mesma coisa, isto é, ser servido, mata o outro de coração. [3] Entre eles há alguns que dizem que trabalharam na vinha do Senhor, quando, entretanto, eles tiveram então continuamente em vista a preeminência, a glória, as honras depois até o ganho, com a pretensão de se tornarem assim os maiores no céu e até de serem servidos pelos anjos. Eles desprezam os outros em seu coração comparando-os a si próprios; assim eles não são imbuídos do amor mútuo, no qual consiste o céu, mas são imbuídos do amor de si, [amor] no qual eles põem o céu, porque não sabem o que é o céu (ver n. 450, 451, 452, 1594, 1619). Eles estão no número dos que querem ser os primeiros, mas que se tornam os últimos (Mt. 19:30; 20:16; Mc. 10:31); e que dizem ter, pelo nome do Senhor, profetizado e feito muitos milagres, mas aos quais se respondeu: “Não vos conheço” (Mt. 7:22, 23). [4] Não sucede o mesmo com os que creram, na simplicidade do coração, ter merecido o céu, e que viveram na caridade; para eles, merecer o céu consiste em que eles o consideraram como uma promessa, e eles reconhecem facilmente que isso é devido a Misericórdia do Senhor; com efeito, a vida da caridade traz isso consigo; a caridade mesma ama todo vero.