. ‘Seja circuncidado todo macho’; que signifique a pureza, vê-se pela representação e, por conseguinte, na significação de ‘circuncidar’ no sentido interno. A circuncisão, ou o cortar o prepúcio, não significava outra coisa senão a remoção e a limpeza das coisas que impediam e manchavam o amor celeste, coisas que são os males das cobiças, principalmente das cobiças do amor de si e os falsos que daí provêm. O motivo dessa significação é que as partes genitais de um e do outro sexo representam o amor celeste. Há três gêneros de amores que constituem as coisas celestes do Reino do Senhor, a saber, ‘o amor conjugal’, ‘o amor para com as crianças’ e ‘o amor da sociedade’, ou seja, ‘o amor mútuo’. O ‘amor conjugal’ é o principal de todos, porque nele está o fim do uso maior, a saber, a propagação do gênero humano e, por conseguinte, a do Reino do Senhor, cujo viveiro é o gênero humano. Sucede depois o ‘amor para com as crianças’, que provém do amor conjugal; e, enfim, o ‘amor da sociedade’, ou ‘amor mútuo’. Tudo que cobre, impede e polui esses amores é significado pelo prepúcio, cuja ação de cortar, ou circuncisão, se tornou representativa, porque tanto quanto os males das cobiças e dos falsos que deles procedem forem repelidos, outro tanto o homem é purificado, e outro tanto o amor celeste pode aparecer. Já se disse e se mostrou quanto o amor de si é oposto ao amor celeste e quanto ele é corrompido (n. 760, 1307, 1308, 1321, 1594, 2045, 2057). Sendo assim, é evidente que a ‘circuncisão’, no sentido interno, significa a pureza. [2] Que a circuncisão seja somente um sinal da aliança, ou da conjunção, é o que se pode ver claramente nisso, que é a circuncisão do coração ou a purificação desses amores imundos que é significada, como estas passagens da Palavra evidenciam claramente: Em Moisés: “JEHOVAH DEUS circuncidará o teu coração e o coração da tua semente, para amardes a JEHOVAH teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, a fim de que vivas” (Dt. 30:6); daí, é evidente que ‘circuncidar o coração’ é ser purificado dos amores impuros, a fim de que JEHOVAH, ou o Senhor, possa ser amado de todo coração e toda alma. [3] Em Jeremias: “[...] Lavrai-vos uma terra nova e não semeeis entre espinhos. Circuncidai-vos a JEHOVAH, e retirai o prepúcio do vosso coração, ó varão de Judá e habitantes de Jerusalém, [...]” (4:3, 4); ‘circuncidar-se a JEHOVAH’ e ‘retirar os prepúcios do coração’ é simplesmente tirar o que se opõe ao amor celeste; por conseguinte, vê-se também que a circuncisão do coração é interiormente o que significa a circuncisão do prepúcio. Em Moisés: “Circuncidai o prepúcio do vosso coração, e o vosso pescoço não endureçais mais. ... [é JEHOVAH] quem faz o juízo do órfão e da viúva, e que ama o peregrino para dar-lhe o pão e a roupa” (Dt. 10:16, 18); onde também se vê claramente que ‘circuncidar o prepúcio do coração’ é ser purificado dos males dos amores impuros e dos falsos que daí provêm; as coisas celestes do amor são descritas por meio das obras da caridade, a saber, por ‘fazer o juízo do órfão e da viúva’ e por ‘amar o peregrino para lhe dar o pão e a roupa’. [4] Em Jeremias: “Eis, dias vêm, em que visitarei sobre todo o circuncidado no prepúcio, sobre o Egito, e sobre Judá, e sobre Edom, e sobre os filhos de Amon, e sobre Moab, sobre todos os cortados do ângulo que habitam no deserto, porque todas as nações têm o prepúcio, e que todas as casas de Israel têm o prepúcio no coração” (9:24, 25 [Em JFA, 9:25, 26]); que a circuncisão seja o significativo da purificação é ainda evidente a partir dessas palavras; são chamados ‘circuncidados no prepúcio’, contudo, ainda assim são chamados ‘nações que têm o prepúcio’, em cujo número também está Judá, e se disse de Israel que ‘tem o prepúcio no coração’. Em Moisés: “Ou então se humilhará o coração dos incircuncidados” (Lv. 26:41); igualmente. [5] Que o ‘prepúcio’ e o ‘incircunciso’ [praeputiatum] significam o que é manchado, é o que se vê em Isaías: “Desperta-te, desperta-te, reveste a tua força, ó Sião; reveste-te de tuas vestimentas de enfeite, ó Jerusalém, cidade de santidade, porque não sucederá que venham a ti mais o incircunciso e o manchado” (52:1); por ‘Sião’ entende-se a igreja celeste, por ‘Jerusalém’, a igreja espiritual, na qual não entrará o que é incircunciso, isto é, o que é manchado. [6] Que a circuncisão seja um sinal de aliança, ou um indício de conjunção, é o que se vê claramente a partir disso, que igual coisa era representada pelos frutos das árvores, que deviam ser também circuncisas; a este respeito se fala assim em Moisés: “Quando vierdes à terra e plantardes qualquer árvore de comer, será incircunciso o prepúcio, dela do fruto dela, três anos vos será incircuncisa, não se comerá [dela]; e no quarto ano será todo o fruto dela santidade dos louvores de JEHOVAH” (Lv. 19:23, 24); os frutos igualmente representam e significam a caridade, como se pode ver na Palavra por muitas passagens; assim, o seu prepúcio significa a impureza que impede e contamina a caridade. [7] Coisa admirável: quando os anjos, que estão no céu, têm uma ideia de purificação das impurezas naturais, alguma coisa semelhante à circuncisão é subitamente representada no mundo dos espíritos, porque as ideias angélicas terminam em representativos no mundo dos espíritos. Houve na Igreja Judaica ritos representativos que obtinham daí a sua origem, e também os havia que não vinham daí. Aqueles com os quais, no mundo dos espíritos, era subitamente representada essa circuncisão, queriam ser admitidos no céu, e antes que lá fossem admitidos, esse representativo tinha tido lugar. Por esse modo se pode ver por que se ordenou a Josué que circuncidasse o povo quando eles passaram o Jordão para entrar na terra de Canaã. A entrada do povo na terra de Canaã não representara outra coisa senão a introdução dos fiéis no céu. [8] Por isso é que a circuncisão tinha sido ordenada pela segunda vez. A este respeito se fala assim em Josué: “JEHOVAH disse a Josué: Faze para ti espadas de pedras; circuncidai os filhos de Israel pela segunda vez. E fez para si Josué as espadas de pedras, e circuncidou os filhos de Israel na colina dos prepúcios. [...] E disse JEHOVAH a Josué: Hoje revolvi o opróbrio do Egito de sobre vós; e chamou o nome daquele lugar Gilgal (círculo)” (5:2, 3, 9); as ‘espadas de pedra’ significam os veros de que eles deviam ser imbuídos a fim de que pudessem assim reprimir e expulsar os amores impuros, porque sem as cognições do vero nunca existe purificação alguma. Que a ‘pedra’, ou o ‘seixo’, signifique os veros, é o que já se explicou (n. 643, 1298); e se vê, pela Palavra, que a espada se diz dos veros pelos quais os males devem ser reprimidos.