Texto
. ‘Estará a Minha aliança na vossa carne’; que signifique a conjunção do Senhor com o homem na sua impureza, é o que se vê pela significação da ‘aliança’, que é a conjunção (de que acima se tratou), e pela significação da ‘carne’, que é o proprium do homem, de que também se tratou acima (n. 2041); ali também se disse quanto o proprium é impuro, e isso foi exposto na Primeira Parte (n. 141, 150, 154, 210, 215, 694, 731, 874, 875, 876, 987, 1047). Que ‘a Minha aliança na vossa carne’ signifique a conjunção do Senhor com o homem na sua impureza, eis o porquê: no homem não há nenhum vero intelectual puro, isto é, nenhum vero Divino; mas os veros da fé que estão no homem são aparências do vero, as quais se ajuntam falácias que pertencem aos sentidos, e a essas falácias se ajuntam falsos que pertencem às cobiças do amor de si e do mundo. Tais são os veros no homem; pode-se ver pelas coisas que são adjuntas a tais veros o quanto eles são impuros.
[2] Mas a verdade é que o Senhor Se conjunta com o homem nessas impurezas, porque Ele as anima e as vivifica pela inocência e caridade, e forma assim a consciência. Os veros da consciência são de diferentes espécies, a saber, segundo a religião de cada um; o Senhor não quer violá-los, porque o homem foi imbuído deles e neles pôs a santidade, contanto, porém, que eles não sejam contrários aos bens da fé. O Senhor não quebranta pessoa alguma, mas dobra; é o que pode ser evidente nisso, que em cada dogma dentro da igreja há homens aos quais é concedida a consciência, a qual é sempre tanto melhor quanto os veros dessa consciência se aproximam dos veros genuínos da fé. Como a consciência é formada de veros da fé dessa sorte, vê-se que ela foi formada na parte intelectual do homem, pois é a parte intelectual que recebe esses veros. Por isso o Senhor milagrosamente separou essa parte de junto da parte voluntária; é esse um arcano que até aqui não foi conhecido. (Ver o que se disse a respeito na Primeira Parte, n. 863, 875, 927, 1023.) Que ‘a aliança na vossa carne’ seja também um significativo, a saber, da purificação, é evidente pelo que foi exposto sobre a circuncisão (n. 2039).