. ‘Que não é circuncidado na carne do seu prepúcio’; que signifique o que está no amor de si, é o que se vê pelo que se disse sobre a significação de ‘ser circuncidado’ e do ‘prepúcio’ (n. 2039, 2049 até o fim); então, as coisas que foram ditas sobre a significação da ‘carne’ (n. 2041); a ‘carne do prepúcio’, aqui, significa o amor de si. Aqueles que, dentro da igreja, estão no falso e ao mesmo tempo no amor de si são os que, sobretudo, profanam as coisas santas; os que estão em um outro amor, seja ele qual for, não os profanam tanto, pois o amor de si é o mais impuro de todos os amores, porque ele é destruidor da sociedade, portanto, destruidor do gênero humano, como acima se explicou (n. 2045). Que esse amor também seja diametralmente oposto ao amor mútuo, no qual o céu consiste, assim, destruidor da ordem celeste mesma, é o que se pode ver pelos maus espíritos e gênios na outra vida, e também pelos infernos nos quais só reina o amor de si, e por ser o amor de si que reina, lá também estão todos os gêneros de ódios, vinganças e crueldades, porque eles provêm desse amor. [2] O amor mútuo no céu consiste nisso: que se ama o próximo mais do que a si mesmo; daí o céu inteiro representa, por assim dizer, um só homem, pois, por intermédio do amor mútuo, todos são assim consociados pelo Senhor. Daí vem que as felicidades de todos são comunicadas a cada um, e que as de cada um o são a todos; daí resulta que a forma celeste mesma é tal que cada um é como uma sorte de centro, portanto um centro de comunicações, por conseguinte, o centro das felicidades que procedem de todos os outros; e isso conforme todas as diferenças do amor mútuo, que são inúmeras. E como os que estão nesse amor percebem uma suprema felicidade de poderem comunicar aos outros o que influi neles e o comunicam de todo o coração, resulta daí uma perpétua e eterna comunicação, segundo a qual, a felicidade de cada um cresce em proporção do acréscimo do Reino do Senhor. Os anjos, sendo distribuídos em sociedades e tendo moradas particulares, não pensam nessa comunicação universal; mas é o Senhor que distribui assim todas e cada uma das coisas; tal é o Reino do Senhor nos céus. [3] Porém, a essa forma e a essa ordem, nada se esforça mais para as destruir do que o amor de si; assim, todos os que, na outra vida, estão no amor de si são mais profundamente infernais do que os outros. Com efeito, o amor de si nada comunica aos outros, mas extingue e sufoca os prazeres e as felicidades dos outros. Os que estão nesse amor apoderam-se de todo prazer que influi dos outros para eles, concentram-no neles, mudam-no em sua própria impureza e fazem com que ele não se propague mais longe. Eles destroem assim toda unanimidade e toda sociabilidade; daí a desunião e, consequentemente, a destruição. E como cada um deles quer ser servido, honrado e adorado pelos outros, e não ama senão a si próprio, daí a dissociação que termina e se manifesta em estados lamentáveis a ponto de nada perceberem de mais agradável do que atormentar os outros por ódio, vingança e crueldade, empregando meios atrozes e fantásticos. Quando tais espíritos vão para alguma sociedade onde reina o amor mútuo, pelo fato que todo prazer que influi termina neles, eles são precipitados por si próprios, assim como o são em um ar puro e vivo massas impuras e privadas de vida; e porque eles exalam a ideia de si mesmos, que é corrompida, o seu prazer é ali mudado em um cheiro cadaveroso, segundo o qual eles sentem o seu próprio inferno; além disso, uma angústia atroz se apodera deles. [4] Pelo que acaba de ser dito, pode-se ver qual é o amor de si, isto é, que ele não só é destruidor do gênero humano, como já se explicou (n. 2045), como também ele é ainda destruidor da ordem celeste, e que, portanto, nesse amor há somente a impureza, a imundícia, a profanação e o próprio inferno, embora ele não pareça tal aos que se entregam a ele. Estão no amor de si aqueles que desprezam os outros comparando-se a eles, que odeiam os que não os favorecem, não os servem e não lhes prestam uma sorte de culto, e que tomam um cruel prazer em se vingar e em privar os outros da honra, da reputação, das riquezas e da vida. Os que estão nesse amor se acham nessas disposições; e os que estão nessas disposições, saibam, pois, que eles estão nesse amor.