ac 2063

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que ‘não chamarás o nome dela, Sarai, porque Sarah [é] o nome dela’ signifique que Ele Se despojará do humano e Se revestirá do Divino, vê-se pelo que foi dito sobre Abrahão (vers. 5) onde estão estas palavras: “E não se chamará mais pelo teu nome Abrão, e será o teu nome Abrahão”, palavras que significam igualmente que Se despojará do humano e Se revestirá do Divino (ver n. 2009); porque a letra ‘H’, que foi acrescentada ao nome Sarah, foi extraída do nome de JEHOVAH, a fim de que Sarah, assim como Abrahão, representasse o Divino do Senhor; a saber, o Divino Casamento do Bem com o Vero no Senhor: Abrahão, o Divino Bem, e Sarah, o Divino Vero, de que ia nascer o Divino Racional, que é Isaque.
[2] O Divino Bem, que é o Amor e, relativamente a todo o gênero humano, é a Misericórdia, foi o Interno do Senhor, isto é, JEHOVAH, Que é o Bem mesmo; é esse Bem que é representado por Abrahão. O vero, que devia ser conjunto ao Divino Bem foi representado por Sarai, e quando esse vero se tornou Divino, ele é representado por Sarah, pois o Senhor progrediu sucessivamente para a união com JEHOVAH, como foi dito acima aqui e ali. O vero representado por Sarai não era ainda Divino quando ele ainda não tinha sido unido ao Bem ao ponto que o vero procedesse do Bem; mas quando ele foi unido ao Bem de tal modo que ele procedia do Bem, ele foi Divino, e então o Vero mesmo foi também o Bem, porque ele era o Vero que pertence ao Bem. Um é o vero que tende ao Bem para ser unido ao Bem, e outro é o Vero que foi de tal modo unido ao Bem que ele procede inteiramente do Bem: o vero que tende ao Bem obtém ainda alguma coisa do humano, enquanto o Vero que foi inteiramente unido ao Bem se despoja de tudo que é humano e se reveste do Divino.
[3] Pode-se ilustrar isso, como acima, por alguma coisa semelhante com o homem: enquanto o homem é regenerado, isto é, quando ele deve se conjungir ao Senhor, ele progride para a conjunção por meio do vero, isto é, pelos veros da fé, pois ninguém pode ser regenerado senão por meio das cognições da fé, que são os veros pelos quais se avança para a conjunção. O Senhor vai ao encontro desses veros pelo bem, isto é, pela caridade, e Ele adapta a caridade às cognições da fé, ou o que é o mesmo, aos veros que estão no homem. Com efeito, todos os veros são vasos recipientes do bem, por isso, quanto mais os veros são genuínos e são multiplicados, tanto mais o bem tem a faculdade de os receber como vasos, de os dispor em ordem e, finalmente, de se manifestar a ponto de os veros não aparecerem a não ser tanto quanto o bem transparece por eles, assim o vero se torna celeste espiritual. Como o Senhor está somente presente no bem que pertence à caridade só, o homem é assim conjunto ao Senhor; e pelo bem, isto é, pela caridade, ele é dotado de uma consciência segundo a qual ele pensa o vero e faz o que é certo [rectum], mas segundo os veros e os princípios de retidão aos quais é adaptado o bem, ou a caridade.

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