. ‘Reis de povos haverá dela’; que signifique os veros provenientes dos veros e bens conjuntos, que são os ‘reis de povos’, é o que se vê pela significação dos ‘reis’, que são em geral todos os veros, como foi dito (n. 2015); e pela significação dos ‘povos’, que são também os veros e, em geral, todas as coisas espirituais, porque os reis se dizem dos povos e não do mesmo modo das nações, exceto quando as nações significam os males (n. 1259, 1260). Na Palavra Profética, os ‘reis’ e os ‘povos’ são muitas vezes mencionados, mas por eles nunca se entendem reis nem povos, porque não se trata de modo algum de reis nem de povos na Palavra mesma, que é o sentido interno, mas se trata das coisas celestes e espirituais que pertencem ao Reino do Senhor, por conseguinte, dos bens e dos veros. O sentido da letra, do mesmo modo que as palavras da linguagem humana, apresenta somente objetos para a inteligência do sentido que daí provém. [2] Aqui, como se trata de Sarah, que “haverá reis de povos dela” e que Sarah significa o Divino Vero que provém do Senhor, é evidente que ‘reis de povos’ significam os veros provenientes dos veros e bens conjuntos, que são todos os veros da igreja interna, ou todos os interiores da fé; esses veros, porque procedem do Senhor, são, de todos os lados na Palavra, nomeados ‘reis’ e também ‘filhos do rei’, como se explicou (n. 2015). [3] Qualquer um pode ver que nestas palavras, “haverá reis de povos dela”, há algum Divino interno profundamente oculto, porque, neste versículo se trata de Isaque e se diz: “abençoá-lo-ei, e estará em nações”; mas se diz de Sarah, que “reis de povos haverá dela”. Diz-se também (no vers. 6) quase a mesma coisa de Abrahão, que ‘reis sairão dele’, mas não ‘reis de povos’ como ao falar de Sarah. O arcano que está nesta passagem é demasiadamente profundo para que possa ser desenvolvido e descrito em poucas palavras. Pela representação e significação de Sarah, que é o Divino Vero, o arcano se manifesta um pouco, a saber, que do Divino Bem do Senhor, que se entende por Abrahão, sairá e existirá todo o vero celeste, e que do Divino Vero do Senhor, que se entende por Sarah, sairá e existirá todo vero espiritual. O vero celeste é o que existe nos anjos celestes, e o vero espiritual, o que existe nos anjos espirituais, ou o que é o mesmo, era o vero celeste que possuíam os homens da Antiquíssima Igreja, que existiu antes do dilúvio e foi uma igreja celeste; e era o vero espiritual que possuíam os homens da Antiga Igreja, que existiu depois do dilúvio e foi uma igreja espiritual; porque os anjos, como também os homens da igreja, se distinguem em celestes e em espirituais. Os celestes são distintos dos espirituais pelo amor ao Senhor, os espirituais são distintos dos celestes pelo amor para com o próximo. [4] No entanto, não é possível dizer mais a respeito do vero celeste e do vero espiritual antes de se saber que distinção há entre o celeste e o espiritual, ou o que é o mesmo, entre a igreja celeste e a igreja espiritual. (Ver, sobre esse assunto, o que se disse na Primeira Parte, n. 202, 337, 1577). Depois, antes de se saber qual era a Antiquíssima Igreja e qual era a Antiga (n. 597, 607, 640, 765, 1114 a 1125, e em muitos outros lugares); e enfim, antes de se saber que ter o amor ao Senhor é o celeste, e ter o amor para com o próximo, o espiritual (2023). [5] Por intermédio dessas noções o arcano se manifesta, vê-se que “os reis que sairão de Abrahão” (vers. 6) significam os veros celestes que influem do Divino Bem do Senhor, e que os “reis de povos que sairão de Sarah” e de que se trata neste versículo significam os veros espirituais que influem do Divino Vero do Senhor. De fato, o Divino Bem do Senhor só pode influir no homem celeste porque ele influi em sua parte voluntária, como com a Antiquíssima Igreja, enquanto o Divino Vero do Senhor influi no homem espiritual, porque ele influi somente em sua parte intelectual, que nele foi separada de sua parte voluntária (n. 2053 até o fim), ou o que é o mesmo, o bem celeste influi no homem celeste, o bem espiritual, no homem espiritual; por isso o Senhor aparece como sol aos anjos celestes, e como lua aos anjos espirituais (n. 1529, 1530).