Texto
. ‘E riu’; que signifique a afeição do vero, é o que se pode ver pela origem e a essência do riso; a sua origem não é outra coisa senão a afeição do vero ou a afeição do falso; daí a alegria e o regozijo que se estampam no rosto pelo riso; daí é evidente que a essência do riso não é outra coisa. É verdade que o riso é alguma coisa de externo que pertence ao corpo, por isso que ele pertence à face, mas, na Palavra, as coisas interiores são expressas e significadas por meio das exteriores, como todas as afeições interiores do caráter e da mente o são pela face, como o ouvido interior e a obediência o são pela orelha, como a vista interna e o entendimento o são pelos olhos, como o poder e a força o são pela mão e o braço, e assim por diante; do mesmo modo a afeição do vero é expressa e significada pelo riso.
[2] No racional do homem está o vero, que é o principal; há também no racional a afeição do bem, mas esta está na afeição mesma do vero como alma do vero; a afeição do bem, que está no racional, não se mostra pelo riso, mas se manifesta por um certo regozijo daí por um prazer de voluptuosidade que não se vê, porque no riso, ordinariamente, há também alguma coisa que não é o bem. Se no racional do homem o vero é o principal, é porque o racional é formado pelas cognições do vero, porque se não o for por elas, nunca pessoa alguma pode vir a ser racional. As cognições do bem são igualmente veros como as cognições do vero.
[3] Que o riso signifique, aqui, a afeição do vero, é o que se pode ver pelo fato de que aqui se lembra que Abrahão riu, e que Sarah fez o mesmo tanto antes como depois do nascimento de Isaque, e pelo fato de que Isaque recebeu seu nome do riso, pois Isaque significa o riso; que Abrahão tenha rido ouvindo falar de Isaque, é o que se vê por este versículo, por isso que se diz que Abrahão, quando ouviu que teria um filho de Sarah, riu. Que Sarah tenha também rido antes do nascimento de Isaque, quando ouviu de JEHOVAH que ela daria à luz [pareret], é o que se vê por esta passagem:
“Sarah, quando ouvia à entrada da tenda; [e] Sarah riu consigo, dizendo: Depois que envelheci, terei eu volúpia? e o meu senhor [é] velho. E disse JEHOVAH a Abrahão: Porque disso riu Sarah, dizendo: Será que também verdadeiramente parirei? e eu [já sou] velha... Negou Sarah, dizendo: Não ri; porque teve medo. E Ele disse: Não, mas [tu] riste” (Gn. 18:12, 13, 15);
enfim, que ela tenha rido ainda depois do nascimento de Isaque, é o que se vê por esta passagem:
“Chamou Abrahão o nome do seu filho, ... Isaque (riso). Disse Sarah: Deus fez-me o riso, todo o que ouvir rirá comigo” (Gn. 21:3, 6).
Se ‘rir’ e o nome ‘Isaque’, que significa o riso, não encerrassem esses arcanos, tais circunstâncias não teriam sido de modo algum mencionadas.