Texto
. Que ‘será que Sarah, uma filha de noventa anos, parirá?’ signifique que o vero conjunto ao bem fará isso, vê-se pela representação e significação de ‘Sarah’, que é o vero conjunto ao bem, ou o vero Divino; e pela significação do número ‘noventa’ ou, o que é o mesmo, do número ‘nove’. Qualquer pessoa deve ficar admirada de que o número dos cem anos, idade de Abrahão, significa que o Racional da Essência Humana do Senhor seria unido à Essência Divina; e de que o número dos noventa anos, de que Sarah era idosa, significa que o vero conjunto ao bem faria isso; mas como nada há que não seja celeste e Divino na Palavra do Senhor, o celeste e o Divino também estão nos próprios números que nela se acham. Que, na Palavra, todos os números, como todos os nomes, sejam quais forem, signifiquem coisas reais, é o que foi explicado na Primeira Parte (n. 482, 487, 488, 493, 575, 647, 648, 755, 813, 893, 198878).
[2] Agora, que o número ‘nove’ signifique a conjunção e, com mais forte razão, o número ‘noventa’, que é composto de nove multiplicado por dez, afinal o ‘dez’ significa as relíquias pelas quais se opera a conjunção (como se vê pelas coisas que acima foram ditas, n. 1988 até o fim); é também o que se pode ver pelos representativos e significativos seguintes: mandava-se que o ‘décimo dia do sétimo mês’ fosse o dia das expiações e que fosse o shabbath do shabbath; que no ‘nono do sétimo mês’, à tarde, desde uma tarde até a outra tarde se celebraria o shabbath (Lv. 23:27, 32).
[3] No sentido interno, esses números significam a conjunção pelas relíquias, a saber, ‘nove’ a conjunção, e ‘dez’ as relíquias. Que havia um arcano Divino oculto e encerrado nesses números, é o que se vê com evidência pelos meses e os dias do ano, que deviam ser guardados como santos, por exemplo, por todo sétimo dia, em que era então o shabbath; pelo sétimo mês, como aqui, em que era então o shabbath do shabbath, igualmente pelo sétimo ano; depois pelas sete vezes o sétimo ano, que era então o começo do jubileu. O mesmo se dá com os outros números na Palavra, por exemplo, com ‘três’, que significa quase a mesma coisa que sete; com ‘doze’, que significa todas as coisas pertencentes à fé; com o número ‘dez’, que, do mesmo modo que os dízimos, significa as relíquias (n. 576); e assim por diante. Por conseguinte, aqui, no Levítico, se o número dez e o número nove não encerrassem arcanos, não teria sido ordenado que esse shabbath do shabbath fosse no décimo dia do sétimo mês, nem que se celebrasse no nono dia do mês. Tal é a Palavra do Senhor no sentido interno, ainda que no sentido histórico não se manifeste coisa alguma semelhante.
[4] Sucede o mesmo com o que diz respeito ao sítio de Jerusalém feito por Nabucodonosor no nono ano de Zedequias, e de sua destruição no ano undécimo, no nono dia do mês; a esse respeito se fala no Segundo Livro dos Reis:
“Foi no ano nono desde que reinava Zedequias, no mês décimo, a dez do mês; veio Nabucodonosor, rei de Babel, contra Jerusalém,... E ficou a cidade sitiada até o décimo primeiro ano do rei Zedequias. A nove do mês, e avultou a fome na cidade, e não houve pão para o povo da terra. E a cidade foi tomada de assalto [...]” (25:1, 3, 4);
pelo ‘nono ano’, o ‘décimo mês’, e pelo ‘undécimo ano’ e ‘a nove do mês’, quando “a fome estava na cidade” e que “não havia pão para o povo da terra”, é significado, no sentido interno, que não havia mais conjunção pelas coisas que pertencem à fé e à caridade; a ‘fome na cidade’ e ‘nada de pão para o povo da terra’ significa que não restava mais nada da fé nem nada da caridade. É esse o sentido interno dessas palavras, sentido que não se mostra de modo algum na letra; e semelhantes verdades surgem ainda menos dos livros históricos da Palavra do que de seus livros proféticos, porque os pormenores históricos se apoderam da atenção [captant animum] ao ponto que dificilmente se crê que alguma coisa mais elevada esteja oculta ali, quando entretanto todos os fatos são representativos e as próprias palavras são em toda a parte significativas, essas coisas são incríveis, mas é certo que elas são verdadeiras (ver n. 1769-1772).