ac 2116

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que ‘foram circuncidados por ele’ signifique que tenham sido justificados pelo Senhor, é o que se vê pela representação e, por conseguinte, pela significação de ‘ser circuncidado’, que é ser purificado, como se viu (n. 2039); porque ser circuncidado por ele, isto é, por Abrahão, também foi um representativo, a saber, que se foi purificado e assim justificado pelo Senhor. Mas quanto ao que diz respeito à justificação, ela não consiste — como o quer a opinião do vulgo — no fato de que (como se presume) todos os males e pecados sejam lavados e inteiramente apagados quando se crê, ainda mesmo que só se cresse na última hora da morte, embora se tivesse passado todo o decurso da sua vida nos males e nos crimes. Com efeito, fui completamente instruído que o mal, até o mais leve que o homem pensou e fez em ato na vida do corpo, não é lavado nem inteiramente apagado, mas permanece inteiro até a menor de suas particularidades; mas eis o que sucede:
[2] Os que pensaram e praticaram ódios, vinganças, crueldades e adultérios, e que, consequentemente, não viveram em caridade alguma, conservam, depois da morte, o trato de sua vida, e de fato todas as coisas dessa vida, tanto em geral como em particular, voltam sucessivamente; daí os seus tormentos no inferno. Quanto aos que viveram no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo, os males de sua vida ficam também, mas esses males são temperados pelos bens que eles receberam do Senhor pela vida da caridade quando eles viveram no mundo, e, por conseguinte, eles são elevados ao céu, e até são desviados dos males que eles tiveram consigo, ao ponto que esses males não se mostram. Os que, na outra vida, duvidam de que tinham tido com eles males porque eles não se mostram, são repostos nesses males até que saibam que isso é assim, e depois são elevados novamente ao céu.
[3] É isso que é então ser justificado, porque eles reconhecem assim não a sua própria justiça, mas a justiça do Senhor. Que se diga que os que têm a fé são salvos, isto é verdadeiro, mas isso se pela fé, na Palavra, entende-se unicamente o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo, por conseguinte, somente a vida que procede desse amor e dessa caridade. Os doutrinais e os dogmas da fé não são a fé, mas pertencem à fé, porque todos, em geral e em particular, têm por fim que o homem se torne conforme ao que eles ensinam; é o que é evidente pelas palavras do Senhor quando diz que “no amor a Deus e no amor para com o próximo consistem a Lei e todos os Profetas”, isto é, a Doutrina universal da fé (Mt. 22:34 a 39; Mc 12:28 ao 35). Que não haja outra fé que seja fé, é o que se viu na Primeira Parte (n. 30–38, 379, 389, 724, 809, 896, 904, 916, 989, 1017, 1076, 1077, 1121, 1158, 1162, 1176, 1258, 1285, 1316, 1608, 1798, 1799, 1834, 1843, 1884); e que o céu mesmo consista em amor ao Senhor e no amor mútuo, é o que se mostrou (n. 537, 547, 553, 1112, 2057).
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