ac 2129

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Há ainda outros gêneros de tumultos, ou antes, de conflitos, que apresentam aqui a ideia do Juízo Final e pelos quais as sociedades mal conjuntas quanto aos interiores são dissolvidas. Eis o que me é permitido relatar sobre esses gêneros dos conflitos: Tais espíritos são reduzidos nesse estado, que eles não pensam mais em sociedade ou em comum, como é o hábito, mas cada um pensa para si. Os pensamentos assim variados e as palavras murmuradas de diversos modos fazem ouvir um ruído como o de uma grande quantidade de água, e existe entre eles um conflito, que não pode ser descrito, proveniente da confusão das opiniões sobre certas verdades, que então são os objetos dos pensamentos e das linguagens, conflito que é tal que pode ser chamado caos espiritual.
[2] O som dos murmúrios chocando-se e confundindo-se era triplo; um influía ao redor da cabeça, e se me disse que era o choque dos pensamentos; um outro influía para o lado esquerdo da cabeça, e me disseram que era o choque dos raciocínios sobre certas verdades nas quais eles não queriam ter fé; o terceiro influía de cima para direita, ele era agudo e não também confuso, esse som agudo se fazia ouvir na frente e atrás; disseram-me que isso provinha de que eles combatiam as verdades, que eram assim convertidas em diversos sentidos pelos raciocínios. Enquanto esses conflitos duravam, havia sempre espíritos que conversavam comigo e me explicavam o que cada coisa significava, as suas palavras penetrando distintamente até o meu ouvido através desses sons.
[3] Os objetos de seus raciocínios eram principalmente estes: se devem entender, segundo a letra, que os doze apóstolos se assentariam sobre doze tronos e julgariam as doze tribos de Israel; se no céu serão admitidos outros além dos que sofreram perseguições e misérias. Cada um arrazoava segundo a fantasia que ele se tinha formado na vida do corpo; mas alguns deles, que foram repostos na comunhão e na ordem, foram depois instruídos que essas passagens deviam ser entendidas de modo muito diferente, a saber, que pelos apóstolos não se entendem os apóstolos, nem pelos tronos, tronos, nem pelas tribos, tribos, nem mesmo por doze, um número de doze; mas que pelos apóstolos, os tronos e as tribos, assim como por doze, são significadas as coisas principais da fé (n. 2089), e que é por essas coisas e segundo essas coisas que se faz o juízo sobre cada indivíduo. E, além disso, se lhes mostrou que os apóstolos nem mesmo tinham o poder de julgar um só homem, mas que todo juízo pertence ao Senhor só.
[4] E quanto ao segundo objeto do conflito, eles foram instruídos que não se deve entender que são admitidos no céu somente os que sofreram perseguições e misérias, mas que os ricos podem lá entrar bem como os pobres e que os que são constituídos em dignidades bem como os que se acham em uma condição baixa; que o Senhor estende a Sua misericórdia a todos, particularmente aos que estiveram em misérias espirituais e nas tentações, que são perseguições pelos males; por conseguinte, aos que se reconhecem miseráveis por si mesmos e creem que é unicamente pela Misericórdia do Senhor que eles são salvos.

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