. Que a ‘manteiga’ seja o celeste do racional, que o ‘leite’ seja o espiritual daí proveniente, e que o ‘filho do boi’ seja o natural correspondente, é isso evidente pela significação da manteiga e pela significação do leite, e então pela significação do filho do boi. Quanto ao que diz respeito à manteiga, esta significa, na Palavra, o celeste, e isso por causa da ‘gordura’; que a gordura signifique o celeste, foi visto na Primeira Parte (n. 353); e que o ‘azeite’, por ser gorduroso, seja o celeste mesmo, n. 886. Que a manteiga seja também o celeste, é o que se pode ver em Isaías: “Eis que uma virgem parirá um filho e chamará o nome dele Emanuel87; manteiga e mel comerá até que ele saiba rejeitar o mal e escolher o bem” (7:14, 15); onde se trata do Senhor, que é ‘Emanuel’; e qualquer um pode ver que pela ‘manteiga’ não é significada a manteiga, nem pelo ‘mel’, o mel, mas a manteiga significa o celeste do Senhor, e o mel, o que provém do celeste. [2] No mesmo: “E sucederá que em razão da abundância de se fazer leite, comerá manteiga, porque comerá manteiga e mel quem restar no meio da terra” (7:22); onde se trata do Reino do Senhor e daqueles que, nas terras, estão no Reino do Senhor; o ‘leite’ é aí empregado no lugar do bem espiritual, a ‘manteiga’, do bem celeste, e o ‘mel’, da felicidade que provém de um e do outro. [3] Em Moisés: “JEHOVAH, só, o conduz, e não [há] com ele Deus estrangeiro; fá-lo cavalgar sobre os lugares elevados da terra, e dá de comer dos produtos do campo, e o faz sugar o mel da pedra, e o azeite do seixo da rocha; a manteiga do gado e o leite do rebanho, com a gordura dos cordeiros e dos carneiros dos filhos de Bashan, e dos bodes, com a gordura dos rins do trigo, e o sangue da uva beberás, o vinho puro” (Dt. 32:12–14); ninguém pode compreender o que significam essas coisas exceto se souber o sentido interno de cada uma delas; parece que é uma reunião de expressões tais como são as dos discursos dos sábios do mundo, mas a verdade é que cada uma significa o celeste ou o seu espiritual, assim como a bem-aventurança ou a felicidade que daí resulta, e isto em uma série conveniente. A ‘manteiga do gado’ é o celeste natural, o ‘leite do rebanho’ é o celeste espiritual do racional. [4] Quanto ao que se refere ao ‘leite’, ele significa, como se disse, o espiritual oriundo do celeste, ou o celeste espiritual. Pode-se ver no n. 1577, 1824 e em outras passagens aqui e ali o que é o celeste espiritual; se o leite é o espiritual que procede do celeste, vem isso de que a água significa o espiritual (n. 680, 739); o leite, contudo, porque há nele gordura, significa o celeste espiritual, ou o que dá no mesmo, o vero que pertence ao bem, ou o que é o mesmo, ao amor, ou a fé que pertence à caridade, ou o que é ainda o mesmo, o intelectual que pertence ao bem da vontade; ainda do mesmo modo, a afeição do vero na qual está interiormente a afeição do bem; e ainda o que dá no mesmo, a afeição das cognições e dos conhecimentos proveniente da afeição da caridade para com o próximo tal qual é entre aqueles que amam o próximo e se confirmam nisso pelas cognições da fé, então, pelos conhecimentos e a estes amam, por conseguinte. Todas essas coisas são as mesmas que o celeste espiritual e se empregam conforme a coisa de que se trata. [5] Que seja essa a significação do leite é também o que se vê claramente pela Palavra, como em Isaías: “Ó todos [vós] que tiverdes sede, ide às águas, e [vós] que não tiverdes prata ide, comprai e comei; e ide, comprai [prata], e sem prata e sem preço, vinho e leite. Por que empregais dinheiro pelo que não é pão? [...]” (55:1, 2); onde o ‘vinho’ designa o espiritual que pertence à fé, o ‘leite’, o espiritual que pertence ao amor. Em Moisés: “[...] Lava no vinho a sua vestimenta e no sangue das uvas o seu manto. [Tens] os olhos vermelhos mais do que o vinho, e os dentes brancos mais do que o leite” (Gn. 49:11, 12); onde a profecia [é] de Jacó (então Israel) a respeito de Judá, e ali o Senhor é descrito por Judá; os ‘dentes brancos mais do que o leite’ significam o celeste espiritual que esteve em Seu Natural. [6] Em Joel: “Acontecerá, naquele dia, que o vinho doce destilará das montanhas, e que o leite escoará das colinas; e todos os rios de Judá correrão com águas” (4:18 [Em JFA, 3:18]); onde se trata do Reino do Senhor, e o leite aí significa o celeste espiritual. Na Palavra, a terra de Canaã, pela qual é representado e significado o Reino do Senhor, é também chamada a terra onde correm o leite e o mel, como se vê em Nm. 13:27; 14:8; Dt. 26:9, 15; 27:3; Jr. 11:5; 33:22; Ez. 20:6, 15; e, nessas passagens, pelo ‘leite’ não se entende outra coisa senão abundância das coisas celestes espirituais, e pelo ‘mel’ a abundância das felicidades que daí provêm; a ‘terra’ é o celeste mesmo do Reino, de onde procedem essas coisas celestes espirituais e essas felicidades. [7] Quanto ao que diz respeito ao ‘filho do boi’, mostrou-se (n. 2180) que ele significa o celeste natural; o celeste natural é o mesmo que o bem natural ou que o bem no natural. O natural do homem, do mesmo modo que o racional, tem o seu bem e o seu vero, pois em toda a parte há, como se disse (n. 2173), o casamento do bem e do vero. O bem do natural é o prazer que se percebe pela caridade ou pela amizade que pertence à caridade, desse prazer provém uma satisfação ou um deleite que pertence ao corpo; o vero do natural é o conhecimento que favorece esse prazer; sendo assim, pode-se ver o que é o celeste natural.