ac 2187

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E comeram’; que signifique a comunicação que se fez assim, é o que se pode ver pela significação de ‘comer’, que é comunicar, então, ser conjunto; que seja também evidente pela Palavra: quando Abrahão e seus filhos, os levitas e o povo comiam no lugar santo as coisas santificadas dos sacrifícios, isso significava simplesmente a comunicação, a conjunção e a apropriação, como se disse (n. 2177) ao se falar da passagem do Levítico (6:9, 10), porque as coisas santificadas que eles comiam significavam a comida celeste e espiritual, assim, a apropriação dessa comida. Pelos sacrifícios, havia partes santificadas que não eram queimadas sobre o altar e que eram comidas ou pelos sacerdotes ou pelo povo que tinha oferecido o sacrifício, como se pode ver por muitas passagens em que se trata dos sacrifícios, os quais deviam ser comidos pelos sacerdotes (Êx. 29:32,33; Lv. 6:9, 19; 7:6, 15, 16, 18; 8:31; 10:2, 13; Nm. 18:9, 10, 11); os que deviam ser comidos pelo povo (Lv. 19:5, 6; Dt. 12:27; 27:7; e em outras passagens); e os que eram impuros não deviam comê-los (Lv. 7:19-21; 22:4-7). Esses banquetes eram feitos no lugar santo, perto do altar ou à entrada ou no átrio da tenda; e eles não significavam outra coisa senão a comunicação, a conjunção e a apropriação dos bens celestes, porque representavam a comida celeste. (O que é a comida celeste, ver os n. 56, 57, 58, 680, 681, 1480, 1695.) E todas essas coisas que eram comidas se chamavam PÃO, cuja significação se pode ver acima (n. 2165); a mesma coisa era representada no fato de Aharão e seus filhos comerem os ‘Pães da proposição’ ou ‘das faces’ no lugar santo (Lv. 24:9).
[2] Se a Lei sobre o nazireu lhe proibia que comesse, durante os dias de seu nazireato, parte alguma da uva que produz vinho, desde os bagos até a película (Nm. 6:4), era porque o nazireu representava o homem celeste, e o homem celeste é tal que ele não quer nem mesmo mencionar as coisas espirituais, como se viu na Primeira Parte (n. 202, 337, 880 até o fim, 1647); e porque o vinho e a uva, assim como tudo que vem da uva, significava o espiritual, é por isso que foi proibido ao nazireu comê-lo, isto é, de ter comunicação com as coisas espirituais, de as conjungir a si e de se apropriar delas.
[3] Por comer, deve-se entender a mesma coisa em Isaías:
“[Ó vós] todos que tendes sede, ide às águas, e [vós] que não tendes prata ide, comprai e comei; ide, pois, comprai sem prata e sem preço vinho e leite. Por que empregais a prata para o que não [é] pão? e vosso trabalho pelo que não sacia? Escutai escutando-Me, e comei o bem, e a vossa alma deleitar-se-á na gordura” (55:1, 2);
então também em João:
“Ao que vence, darei que coma da árvore da vida, que está no meio do Paraíso de Deus” (Ap. 2:7).
A ‘árvore da vida’ é o celeste mesmo e, no sentido supremo, é o Senhor mesmo, porque d’Ele vem todo o celeste, isto é, todo o amor e toda a caridade; portanto, comer [comedere] da árvore da vida é a mesma coisa que comer [manducare] [d]o Senhor; e comer [d]o Senhor é ser dotado do amor e da caridade e, assim, das coisas que pertencem à vida celeste; como o Senhor mesmo Se exprime em João:
“Eu sou o pão vivente que do céu desceu; se alguém comer deste pão, viverá pela eternidade; quem come [de] Mim, esse viverá por Mim” (6:51, 57).
“Mas eles disseram: Duro é esse discurso. Mas disse Jesus: As palavras que Eu vos falo são espírito e vida” (Ibid. vers. 60, 63)
[4] Vê-se claramente, por tudo isso, o que se entende na Santa Ceia por comer (Mt. 26:26-28; Mc. 14:22, 23; Lc. 22:19, 20), isto é, que é ter comunicação, ser conjunto e apropriar-se. Vê-se também por esse modo o que é entendido por estas palavras do Senhor:
“[Digo-vos] que muitos virão do oriente e do ocidente e estarão à mesa com Abrahão, Isaque e Jacó” (Mt. 8:11).
Não que devam comer no Reino de Deus com eles, mas é que eles devem usufruir dos bens celestes, que são significados por Abrahão, Isaque e Jacó; a saber, dos celestes do amor, tanto dos celestes íntimos, que são Abrahão, como dos celestes inferiores que são intermediários, como os do Racional, os quais são Isaque, e dos celestes ainda mais inferiores, que são os celestes naturais, tais quais existem no primeiro céu, os quais são designados por Jacó. É isso o que pertence ao sentido interno dessas palavras. Pode-se ver no n. 1893, e mais em toda a parte onde se trata de Abrahão, de Isaque e de Jacó, que são essas coisas celestes que eles representam; com efeito, quer se diga usufruir dessas coisas celestes ou quer se diga usufruir do Senhor, que é representado por Abrahão, por Isaque e por Jacó, é a mesma coisa, porque pelo Senhor há todas essas coisas, e o Senhor é tudo em todas essas coisas.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.