ac 2209

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E eu envelheci’; que signifique que ele não seria mais tal, a saber, não o Divino, mas o humano, e que este humano seria rejeitado, é isso evidente pela significação de ‘envelhecer’, que é despojar o humano, como se disse (n. 2198, 2203). Quanto ao que diz respeito ao Racional em geral, quando ele pensa nas coisas Divinas, principalmente quando é pelo vero que está nele, ele nunca pode crer que elas sejam tais, não só porque ele não as compreende, como também porque as aparências, que nasceram das falácias dos sentidos, se prendem a ele, e que é por elas e segundo elas que ele pensa, como o evidenciam os exemplos referidos (n. 2196), aos quais podem também, para ilustração, ser acrescentados os seguintes:
[2] O racional, se consultado, pode crer que existe um sentido interno da Palavra? [Pode crer] que esse sentido seja, como se mostrou, tão afastado do sentido da letra e, por conseguinte, que seja a Palavra que conjunge o céu com a terra, isto é, o Reino do Senhor nos céus com o Reino do Senhor nas terras? Pode o racional crer que as almas, depois da morte, conversam entre si distintamente e, contudo, sem a linguagem das palavras, e que, não obstante, a sua linguagem é tão completa, que em um minuto as almas exprimem mais coisas do que o homem em uma hora por sua linguagem? que o mesmo acontece com os anjos, mas por uma linguagem mais perfeita ainda e não perceptível para os espíritos? enfim, que todas as almas, logo que entram na outra vida, sabem falar assim, embora não tenham jamais sido instruídas nessa linguagem? Pode o Racional crer que em uma só afeição do homem, e até em um só de seus suspiros, os anjos percebem coisas que aí estão em um tão grande número que elas não poderiam ser descritas, e que cada afeição do homem, e até cada ideia do pensamento, é a sua imagem, e é tal que ela encerra de um modo maravilhoso tudo que pertence à sua vida? Poder-se-iam agregar mil outros exemplos.
[3] Quando o racional, que tira a sua sabedoria dos sensuais e que foi imbuído das falácias dos sentidos, pensa nessas coisas, ele não crê que elas possam ser assim, porque ele não pode formar consigo ideia alguma, a não ser pelo que ele percebe por algum sentido externo e interno; o que não deve ser quando ele pensa nas coisas Divinas, celestes e espirituais, que são muito superiores? Com efeito, deve ter sempre havido algumas aparências provenientes das coisas dos sentidos nas quais se deve apoiar o pensamento, e quando essas aparências são arrebatadas, a ideia perece; é mesmo o que pude verificar pelos espíritos nocivos que põem os seus prazeres, sobretudo, nas aparências que eles levaram do mundo consigo. Diziam-me eles que se elas lhes fossem arrebatadas, eles não sabiam se poderiam pensar. Tal é o racional considerado em si mesmo.

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