. Que a ‘justiça’ diga respeito ao bem e o ‘juízo’ diga respeito ao vero, é o que se pode ver pela significação da justiça e pela significação do juízo. Na Palavra, a justiça e o juízo são nomeados muitas vezes juntamente, mas o que eles significam no sentido interno é o que ainda não se soube. No sentido [mais] próximo, a justiça se aplica ao justo, e o juízo, ao reto; o justo é quando se julga de alguma coisa segundo o bem, e isso segundo a consciência; o reto é quando o homem julga segundo a lei, e assim pelo justo da lei, por conseguinte, também segundo a consciência, porque a lei lhe serve de regra. Mas no sentido interno a justiça é o que procede do bem, e o juízo o que procede do vero. O bem é tudo que pertence ao amor e à caridade, o vero é tudo que pertence à fé que provém do amor e da caridade; o vero tira a sua essência do bem e é chamado o vero procedente do bem; do mesmo modo que a fé procede do amor, do mesmo modo também o juízo procede da justiça. [2] Que a justiça e o juízo tenham essas significações, é o que se vê por estas passagens da Palavra: Em Jeremias: “Assim disse JEHOVAH: Fazei o juízo e a justiça, e arrancai o despojado da mão do opressor; ... Ai do que edifica a sua casa sem a justiça e os seus quartos altos sem juízo; ... [E] o teu pai não comeu e bebeu, e fez o juízo e a justiça? Então o bem estava nele” (22:3, 13, 15); o ‘juízo’ designa as coisas que pertencem ao vero, e a ‘justiça’, as que pertencem ao bem. Em Ezequiel: “[...] Se o ímpio se desviou do seu pecado, mas fez o juízo e a justiça;... todos os pecados dele, que cometeu, não lhe serão relembrados; o juízo e a justiça [ele] fez, vivendo viverá. [...] E retirando-se o ímpio da sua impiedade, e tendo feito o juízo e a justiça, por causa dessas [coisas] viverá” (33:14, 16, 19); do mesmo modo o ‘juízo’ designa o vero que pertence à fé, e a ‘justiça’, o bem que pertence à caridade. [3] Em Amós: “Corra como águas o juízo, e a justiça como uma torrente forte” (5:24); aí igualmente. Em Isaías: “Assim disse JEHOVAH: Guardai o juízo e fazei a justiça, porque próxima [está] a Minha salvação para vir, e a Minha justiça para revelar-se” (56:1). No mesmo: “A paz não terá fim sobre o trono de Davi e sobre o reino dele, para solidificá-lo e sustentá-lo no juízo e na justiça, desde agora e até a eternidade” (Is. 9:6 [Em JFA, 9:7]); isto é, que ele estará nos veros da fé e nos bens da caridade. No mesmo: “Exaltado [será] JEHOVAH, porque habita no alto; encheu Sião de juízo e de justiça” (Is. 33:5); aí o ‘juízo’ designa a fé, a ‘justiça’, o amor, e Sião, a igreja; o juízo é posto em primeiro lugar porque o amor chega pela fé; mas quando a justiça é posta em primeiro lugar, é que a fé vem do amor, como em Oseias: “Desposar-te-ei comigo pela eternidade, e desposar-te-ei comigo em justiça e juízo, e na misericórdia e nas comiserações; e desposar-te-ei comigo na fé, e conhecerás JEHOVAH” (2:19, 20); onde a ‘justiça’ precede, bem como a misericórdia, as coisas que pertencem ao amor, e se segue o ‘juízo’, bem como as comiserações, que pertencem à fé procedente do amor; um e outro são chamados ‘fé’, ou ‘fidelidade’. [4] Em Davi: “Nos céus, JEHOVAH, está a Tua misericórdia, a Tua verdade até os éteres; a Tua justiça [é] como as montanhas de Deus, os Teus juízos [são] um abismo grande; ...” (Sl. 36:6, 7 [Em JFA, 36:5, 6]); aí igualmente a misericórdia e a justiça pertencem ao amor, e a verdade e os juízos pertencem à fé. No mesmo: “A verdade, da terra germinará, e a justiça, do céu olhará. Também JEHOVAH dará o bem, e a nossa terra dará o seu produto” (Sl. 85:12, 13 [Em JFA, 85:11, 12]); nesta passagem a ‘verdade que pertence à fé’ está no lugar do juízo, e a ‘justiça’ designa o amor, ou a misericórdia. Em Zacarias: “Eu os trarei, e habitarão no meio de Jerusalém, e serão para Mim como povo, e Eu serei para eles como Deus na verdade e na justiça” (8:8); daí também se vê que o ‘juízo’ é o vero e a ‘justiça’ o bem, pois que em vez do juízo há aqui a verdade; o mesmo sucede em Davi: “[Aquele] que anda íntegro, e faz a justiça, e pronuncia a verdade” (Sl. 15:2); [5] como a fé pertence à caridade, ou como o vero pertence ao bem, daí resulta que os veros do bem são aqui e ali denominados ‘juízes da justiça’, e que assim os ‘juízos’ significam quase o mesmo que os preceitos, como em Isaías: “Buscam-Me dia após dia, e a ciência dos meus caminhos desejam, como uma nação que faz a justiça, e o juízo do seu Deus não abandona; interroguem-Me sobre os juízos da justiça, desejem a aproximação de Deus” (58:2); que eles são preceitos, vê-se em Davi: “Sete vezes no dia Te louvei sobre os juízos da Tua justiça, todos os Teus preceitos [são] justiça” (Sl. 119:164, 172). A respeito do Senhor se diz, sobretudo, que Ele faz o juízo e a justiça quando cria o homem de novo, como em Jeremias: “Disto se glorie quem se gloria: entender e conhecer-Me que Eu, JEHOVAH, faço a misericórdia, o juízo e a justiça na terra, porque dessas coisas Me agrado” (9:23 [Em JFA, 9:24]); a misericórdia que pertence ao amor é descrita aí pelo ‘juízo e a justiça’. No mesmo: “Suscitarei a Davi um renovo justo, e reinará Rei, e inteligentemente agirá e fará juízo e justiça na terra” (Jr. 23:5; 33:15). [6] Daí, em João: “[...] Se [Eu] for, enviarei o Paracleto para vós. E quando ele vier, censurará o mundo por causa do pecado, [e] da justiça e do juízo: por causa do pecado, porque não creem em Mim; da justiça, porque para o Meu Pai vou, e não mais Me vereis; do juízo, porque o príncipe deste mundo foi julgado” (16:7-11); aí o ‘pecado’ designa toda infidelidade, censurar por causa da justiça é a respeito de tudo que é contra o bem, quando entretanto o Senhor uniu o Humano ao Divino para salvar o mundo, o que é significado por “vou ao Pai e não mais Me vereis”; ‘por causa do juízo’ é a respeito de tudo que é contra o vero, quando é certo que os maus foram lançados em seus infernos para que não possam mais causar prejuízo, o que é significado por “o príncipe deste mundo foi julgado”. Em geral, ‘censurar por causa do pecado, da justiça e do juízo’ é censurar a respeito de toda infidelidade contra o bem e o vero, por conseguinte, de que não há caridade nem fé; porque, nos tempos antigos, pela justiça e o juízo se entendia, no que diz respeito ao Senhor, toda Misericórdia e toda Graça, e quanto ao que diz respeito ao homem, toda caridade e toda fé.