. Que o ‘clamor’ seja o falso, e o ‘pecado’ seja o mal, é o que se pode ver pela significação do clamor na Palavra. Que o clamor signifique o falso, é o que não é evidente para ninguém exceto se se conhecer o sentido interno da Palavra; essa palavra se encontra algumas vezes nos Profetas e, ali, quando se trata da vastação e da desolação, se diz dos que se acham nesse estado, que eles uivam e clamam, o que significa que os bens e veros foram devastados, e é por essa palavra que se descreve o falso no sentido interno, como em Jeremias: “A voz [é] do clamor dos pastores, e o uivo dos poderosos do rebanho, porque JEHOVAHdevasta o pasto deles” (25:36); onde o ‘clamor dos pastores’ é que eles estão no falso, de onde provém a devastação. [2] No mesmo: “Eis as águas que sobem do norte, e serão como um rio que inunda, e inundarão a terra e a sua plenitude, a cidade e os habitantes dela, e clamarão o homem e uivará todo habitante da terra, [...] sobre o dia que vem para devastar...” (Jr. 47:2, 4); onde se trata da desolação da fé, que se faz pelos falsos; o ‘rio que inunda’ é o falso, como se mostrou (n. 705, 790). [3] Em Sofonias: “Uma voz de clamor desde a porta dos peixes, e um uivo da secundária, e uma fratura grande das colinas. [...] e as riquezas serão deles saqueadas e a casa deles [estará] em desolação [...]” (1:10, 13); aí também o clamor se diz dos falsos que devastam. [4] Em Isaías: “[...] No caminho de Horonaim levantarão um clamor de fratura, porque as águas de Nimrim serão desolações, porque crestou-se o feno, consumiu-se a erva, e legume não há” (Is. 15:5, 6; Jr. 48:3); aí, pelo ‘clamor’, são descritas as desolações da fé e a consumação. [5] Em Jeremias: “Pranteia Judá, e os portões dela se tornaram languescentes, enegreceram-se pela terra, e o clamor de Jerusalém subiu. E seus ilustres enviaram seus menores para as águas; vêm às cavas, não encontraram águas, retornaram [com] seus vasos vazios, ...” (Jr. 14:2, 3); onde o ‘clamor de Jerusalém’ designa os falsos, pois, ‘que não tenham encontrado águas’ é que não tinham cognições do vero. Que as ‘águas’ sejam as cognições, mostrou-se na Primeira Parte (n. 28, 680, 739). [6] Em Isaías: “Exultarei em Jerusalém, e alegrarei em meu povo, e não se ouvirá nela mais voz de choro, e voz de clamor” (65:19); aí, que ‘não se ouve voz de choro’ é que não há o mal, e ‘não há voz de clamor’ é que não há o falso. Ordinariamente não se pode entender essas coisas pelo sentido da letra, nem o que seja o ‘clamor’, mas sim pelo sentido interno. [7] No mesmo Profeta: “Esperou JEHOVAH o juízo, mas eis opressão, justiça, mas eis clamor” (Is. 5:7), onde também se trata da vastação do bem e vero. Há aí uma espécie de reciprocidade, como se vê algumas vezes nos Profetas, e que consiste em que em lugar do vero se acha o mal, por exemplo, aqui a opressão [scabies] a respeito do juízo; e em que em lugar do bem se acha o falso, como aqui o clamor a respeito da justiça, porque se mostrou (n. 2235) que o juízo é o vero, e a justiça, o bem. [8] Há uma semelhante reciprocidade nesta passagem de Moisés, onde se fala de Sodoma e de Gomorra: “Da vide de Sodoma [vem] a vida deles, e dos campos de Gomorra, suas uvas; uvas de fel, cachos amargos para eles” (Dt. 32:32). Aí há uma semelhante locução, porque a ‘vide’ se diz dos veros e dos falsos, e os ‘campos’ e as ‘uvas’ se dizem dos bens e dos males; assim, a ‘vide de Sodoma’ é o falso que provém do mal, e os ‘campos e as uvas de Gomorra’ são os males que provêm dos falsos; pois há dois gêneros do falso (de que se falou no n. 1212), e há também dois gêneros do mal; um e outro gênero do falso e do mal são significados neste versículo pelo clamor de Sodoma e de Gomorra, que se tornou grande, e por seu pecado, que se fez muito grave; o que é evidente porque o clamor é mencionado em primeiro lugar e o pecado em segundo, e que, entretanto, Sodoma, que é o mal proveniente do amor de si, é nomeada em primeiro lugar, e que Gomorra, que é o falso proveniente do mal, é nomeada em segundo.