ac 2243

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Se, segundo o seu clamor que veio até Mim, fizeram consumação; e se não, sabê-lo-ei’; que signifique: ‘se o mal chegou ao seu cúmulo’, é o que se vê pela significação do ‘clamor’, que é o falso, como se explicou (n. 2240). Há dois gêneros de falso, como foi dito no fim daquele número, a saber, o falso que provém do mal e o falso que produz o mal. O falso que provém do mal é tudo que o homem pensa quando está no mal, isto é, o que favorece o mal como, por exemplo, quando, estando no adultério, ele pensa a respeito do adultério que ele seja permitido, que seja conveniente, que seja um prazer da vida, que dele resulta uma procriação das linhagens etc. Esses pensamentos são todos os falsos que provêm do mal.
[2] Por sua vez, o falso que produz o mal existe quando o homem toma algum princípio de sua religiosidade e crê depois que é um bem ou uma santidade, quando, na verdade, em si, é um mal; por exemplo, aquele que, pela sua religiosidade [ex religioso], crê que um homem pode salvar, e que por esta razão lhe presta um culto e o adora. Esse tal, por esse falso, pratica o mal. O mesmo acontece com qualquer outra religiosidade que em si é falsa. Como o falso vem do mal e como o falso produz o mal, é por isso que ele é aqui chamado ‘clamor’, e que, semelhante a uma sorte comum, ele significa o que envolve, a saber, o mal; coisa que se vê claramente no que se diz: “Se, segundo o seu clamor que veio até Mim, fizeram consumação”; onde se diz “o seu clamor”, no singular, e “fizeram consumação”, no plural.
[3] Na Primeira Parte (n. 1857), mostrou-se em que consiste a consumação; pode-se, além disso, pelas igrejas, compreender o que é a consumação: A Antiquíssima Igreja, denominada ‘Homem’90 , foi a mais celeste de todas as igrejas. No decorrer do tempo ela degenerou do bem do amor até o ponto que, por fim, não lhe restou coisa alguma de celeste; e então foi para ela a ‘consumação’, que é descrita pelo estado dos homens dessa igreja antes do dilúvio.
[4] A Antiga Igreja, que existiu depois do dilúvio e foi denominada Noé, foi menos celeste; ela também, pelo decorrer do tempo, afastou-se de tal modo do bem da caridade, que não lhe restou coisa alguma da caridade, porque ela se mudou parte em magia, parte em idolatria e parte em uma sorte de dogmático separado da caridade, e então foi para ela a ‘consumação’.
[5] A essa igreja sucedeu uma outra igreja que foi denominada Hebraica; esta foi ainda menos celeste e menos espiritual, pondo nos ritos externos uma sorte de santidade do culto. Esta foi, pelo decorrer do tempo, diversamente deformada, e esse culto externo mudou-se em culto idolátrico, e então foi para ela a ‘consumação’.
[6] Uma quarta igreja foi depois restaurada entre os pósteros de Jacó; ela nada teve de celeste nem de espiritual, mas teve somente o representativo de um e do outro. Por isso essa igreja era uma igreja representativa dos celestes e dos espirituais, porque eles ignoravam o que os ritos representavam e significavam; mas foi instituída para que houvesse sempre entre o homem e o céu algum vínculo, tal qual existe entre os representativos do bem e do vero e o bem e vero mesmos. Essa igreja, por fim, caiu nos falsos e nos males a ponto de todos os ritos se tornarem idolátricos, e então foi para ela a ‘consumação’.
[7] Quando, depois que as igrejas decresciam assim sucessivamente, o elo entre o gênero humano e o céu ficou inteiramente rompido na última a tal ponto que o gênero humano teria perecido por causa disso, que não havia mais igreja alguma para formar a ligação e o vínculo (n. 468, 637, 931, 2054), o Senhor veio então ao mundo, e por meio da união da Essência Divina com a Humana em Si mesmo, Ele conjungiu o céu com a terra e, ao mesmo tempo, instaurou uma nova igreja, que foi chamada Igreja Cristã. Essa igreja esteve primitivamente no bem da fé, e os seus membros viviam entre si como irmãos na caridade; mas na sucessão do tempo, ela se afastou disso de diversos modos, e hoje se tornou tal, que eles nem sequer sabem que o fundamento da fé é o amor ao Senhor, bem como a caridade para com o próximo; e ainda que, segundo a doutrina, eles digam que o Senhor é o salvador do gênero humano, que eles ressuscitarão depois da morte, que há um céu e um inferno, a verdade é que de fato poucos dentre eles creem nessas verdades. Por essa igreja ter se tornado assim, a sua consumação não está longe.
[8] Pelo que acaba de ser dito, pode-se ver o que é a ‘consumação’, isto é, que ela existe quando o mal chegou ao seu cúmulo. Acontece o mesmo no particular, a saber, com cada homem; mas de que maneira a consumação se opera no particular em cada homem, é o que se dirá, pela Divina Misericórdia do Senhor, na continuação. Na Palavra, muito frequentemente se trata da ‘consumação’, e o estado que precede é descrito pela devastação e pela desolação, que segue a visitação.

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