ac 2249

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Aproximou-se Abrahão e disse’; que signifique o pensamento do Senhor procedente do Humano, o qual mais de perto se conjungiu ao Divino, é o que resulta das explicações precedentes, em que se trata do pensamento do Senhor a respeito do gênero humano; assim, não há necessidade de dar outras. Que neste capítulo só se descreva, no sentido interno, o estado do pensamento e da percepção do Senhor, e no começo do capítulo, somente o estado da conjunção do Humano do Senhor com o Divino, é o que de fato pode parecer ser de pouca importância a um homem, mas o certo é que é de uma muito grande importância.
[2] Por isso que, diante dos anjos, para os quais o sentido interno é a Palavra, esses estados se apresentam de um modo vivo com os seus representativos na forma mais bela e, além disso, se apresentam coisas inúmeras, que são as suas consequências e têm a sua semelhança, sobre a conjunção do Senhor com o céu e sobre a recepção do Seu Divino no humano deles, porque as ideias dos anjos são tais que eles têm mais gosto por essas coisas do que por qualquer outra, e as percebem como tendo mais encantos. É também por isso que eles são ilustrados e confirmados cada vez mais sobre a união da Essência Humana do Senhor com a Sua Essência Divina, porque os anjos são aqueles que foram homens e, quando eram homens, não puderam deixar de pensar sobre o Senhor senão como Homem e sobre o Senhor como Deus, assim como sobre o Trino Divino, nem deixaram de formar consigo diversas ideias, embora não soubessem então qual era a qualidade delas.
[3] De fato, os arcanos celestes têm isso de particular, que, posto que ultrapassem qualquer concepção, sempre é verdade que cada um faz alguma ideia a respeito, porque coisa alguma pode jamais ser retida da memória, nem com mais forte razão entrar em qualquer parte do pensamento, senão por alguma ideia formada de um modo qualquer, e como as ideias não puderam ser formadas senão a partirdas coisas que estão no mundo ou das que são análogas ao que há no mundo, e que então por coisas não compreendidas se insinuaram falácias que, na outra vida, alienam do vero e do bem da fé as ideias do pensamento, então, interiores.
[4] Para que essas falácias sejam afastadas, trata-se, somente no sentido interno deste capítulo, da conjunção do Humano do Senhor com o Divino, assim como de Sua Percepção e de Seu Pensamento, e quando então a Palavra é lida, essas coisas Divinas se apresentam à percepção dos anjos, de modo que as ideias anteriores, formadas de coisas estranhas e de escrúpulos que daí nascem facilmente, se dissipam pouco a pouco, e em seu lugar se insinuam novas ideias que são conformes à luz da verdade em que estão os anjos. Isso se efetua mais particularmente com os anjos espirituais do que com os anjos celestes, porque, segundo a purificação das ideias, os anjos espirituais são aperfeiçoados pela recepção das coisas celestes. Sabe-se que o céu não é puro perante o Senhor; e é uma verdade que os anjos são continuamente aperfeiçoados.

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