. Que ‘de fazer morrer o justo com o ímpio, e [que] assim seja o justo como o ímpio!’ signifique que o bem não pode morrer, porque o mal pode ser separado dele, é isso evidente pela significação do ‘justo’, que é o bem, e do ‘ímpio’, que é o mal, como se disse (n. 2250); daí, “fazer morrer o justo com o ímpio” é, o bem com o mal. Tais coisas, porque não devem ser feitas, então porque pensar nisto causa horror, elas são afastadas no sentido interno, e então se apresentam estas: “que o bem não pode morrer, porque o mal pode ser separado dele”. [2] Poucos homens, se é que os há, têm conhecimento do que se passa a esse respeito. Deve-se saber que todo bem, seja ele qual for, que o homem pensou e fez, desde a sua infância até ao último momento de sua vida, permanece; o mesmo sucede com todo o mal, a tal ponto que não perece absolutamente coisa alguma; tudo foi inscrito no seu livro da vida, isto é, em uma e outra de suas memórias e em sua natureza, isto é, também em seu caráter e em seu gênio. É daí que formou para si uma vida, e é, por assim dizer, uma alma que é tal depois da morte. Nunca, porém, os bens se misturam com os males nem os males com os bens a ponto de não poderem ser deles separados; porque, caso estivessem mais misturados, o homem pereceria pela eternidade; o Senhor provê isso. Quando o homem entra na outra vida, se ele viveu nos bens do amor e da caridade, o Senhor separa então os males e, pelos bens, o eleva a Si no céu. Ao contrário, se ele viveu nos males, a saber, no que é oposto ao amor e à caridade, o Senhor então separa os bens desse homem, e os males o levam ao inferno. Tal é a sorte de cada um depois da morte; mas é uma separação, nunca há uma extração completa. [3] Ainda mais, a vontade do homem, que é das duas partes da vida, tendo sido inteiramente pervertida, o Senhor separa essa parte pervertida da outra parte que pertence ao seu intelectual, e implanta no intelectual o bem da caridade, e por esse bem uma nova vontade nos que são regenerados; são esses que têm consciência. É também desse modo que, no geral, o Senhor separa o mal de junto do bem. Tais são os arcanos que foram entendidos, no sentido interno, quando se diz que ‘o bem não pode morrer, porque o mal pode ser separado dele’.