ac 2258

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que ‘O Juiz de toda a terra não fará o juízo?!’ signifique que o Divino Bem não pode, segundo o vero separado do bem, fazer isso, é o que se vê pela significação de ‘Juiz de toda a terra’, e então, pela significação de ‘juiz’. ‘Juiz de toda a terra’, no sentido interno, significa o bem mesmo do qual provêm o vero, o qual bem era também representado pelos ‘sacerdotes’, que eram ao mesmo tempo juízes na Igreja Representativa. Como sacerdotes, eles representavam o Divino Bem, e como juízes, o Divino Vero; mas o ‘Juiz de toda a terra’ significa um e outro, e isso pela significação da ‘terra’, de que se falou na Primeira Parte, mas seria demasiado longo confirmar agora essas significações pelos representativos dessa igreja. Quanto ao ‘juízo’, ele significa o vero, como se mostrou (n. 2235). Pode-se ver que estas palavras: “O Juiz de toda a terra não fará o juízo?!” significam que o Divino Bem não pode, segundo o vero separado do bem, fazer isso.
[2] Para que se possa compreender isso, cumpre saber que a ordem de todo céu, e, por conseguinte, no universo, é constituída por duas coisas, a saber, pelo Bem e pelo Vero: o Bem é o essencial da ordem de que todas as coisas pertencem à Misericórdia; o vero é o secundário da ordem, todas as leis são as verdades. O Divino Bem julga todos os homens para o céu, mas o Divino Vero os condena todos ao inferno. Por isso, a não ser que a Misericórdia do Senhor, que pertence ao bem, fosse eterna, os homens, qual fosse o número deles, seriam todos condenados. Eis o que significam estas expressões: “o Divino Bem não pode, segundo o vero separado do bem, fazer isso”. (Pode-se ver também o que se disse a esse respeito no n. 1728).
[3] Contudo, se os maus foram condenados ao inferno, não é que o Divino Bem seja separado do Divino Vero, mas é porque o próprio homem se separa do Divino Bem, porque o Senhor nunca precipita pessoa alguma por Si mesmo, como já se tem dito algumas vezes, e nisso também o Divino Bem está conjunto ao Divino Vero, pois se os maus não fossem separados dos bons, os maus causariam dano aos bons e se esforçariam continuamente para destruir a ordem. Por conseguinte, impedir que os bons sejam lesados é da Misericórdia. Acontece com isso o que acontece nos reinos da terra: se as más ações aí não fossem punidas, todo reino seria infectado de males e, por consequência, pereceria; por isso há, com os reis e os juízes mais misericórdia em punir as más ações e em expulsar os maus da sociedade, do que usar para com eles de uma clemência intempestiva.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.