. Que ‘disse: Não [o] farei por causa dos quarenta’ signifique que eles serão salvos, é o que se vê sem necessidade de explicação. Dos que são significados no versículo precedente por ‘quarenta e cinco’ se disse: “Não destruirei se ali achar quarenta e cinco”, o que significou que eles não pereceriam se os bens pudessem ser conjuntos aos veros. Agora, aqui continua a se falar dos quarenta e se diz: “Não [o] farei por causa dos quarenta”, o que não significa que eles seriam salvos por causa das tentações, porque também há alguns que sofrem tentações e nelas sucumbem; assim, não são conjuntos naqueles bens. Ainda mais, o homem não é salvo por causa das tentações se ele põe nelas algum mérito; pois se puser algum mérito nas tentações, é pelo amor de si que se vangloria disso e crê que merece o céu mais do que os outros, e pensa, ao mesmo tempo, a respeito da sua preeminência sobre os outros, menosprezando os outros comparando-os consigo, todas essas coisas que são opostas ao amor mútuo e, portanto, à bem-aventurança celeste que daí resulta. [2] As tentações em que o homem é vencedor têm isso de particular, que o indivíduo crê que todos os outros são mais dignos do que ele, e [crê] que seja antes infernal do que celeste; com efeito, tais pensamentos lhe sobrevêm nas tentações. Por isso, quando, depois das tentações, ele chega a pensamentos opostos a esses, é um indício de que ele não foi vencedor, porque os pensamentos que ele teve nas tentações são aqueles aos quais podem ser curvados os pensamentos que ele tem depois das tentações, e se estes não podem ser curvados àqueles, ou ele sucumbiu nas tentações ou volta a pensamentos semelhantes e, algumas vezes, mais perigosos, até ser reconduzido a esse estado de bom senso que consiste em crer que ele não tem mérito algum. Sendo assim, é evidente que ‘quarenta’ significa, aqui, aqueles dentre os quais os bens foram conjuntos aos veros por meio das tentações.