. Livro de Gênesis Décimo nono capítulo. *2310. Já se tratou muitas vezes do SENTIDO INTERNO da Palavra. Sei, porém, que há poucas pessoas que podem crer que em cada parte da Palavra, não só nos Proféticos, mas também nos Históricos, há tal sentido. É mais fácil crer que esse sentido existe nos Livros Proféticos, porque nesses livros não há sequência como nos outros, e porque encerram, ao mesmo tempo, locuções estranhas, donde vem que cada um pode pensar que esses livros encerram algum arcano. Mas não se vê tão facilmente que aconteça o mesmo nos Livros Históricos, não só porque isso não ocorreu, até agora, à mente de pessoa alguma, como também porque os históricos são de uma natureza tal, que mantêm a atenção fixa neles e desviam assim a mente de pensar que alguma coisa mais elevada esteja neles encerrada; e também porque os históricos são verdadeiramente tais quais eles são relatados. [2] Contudo, qualquer pessoa pode concluir que também há interiormente neles um celeste e um Divino que não se mostram com brilho; ela pode concluir, Primeiro: que a Palavra foi enviada ao homem, pelo Senhor, por meio do céu, e que assim ela é outra em sua origem. Na continuação, mostrar-se-á qual é a sua origem, e que ela difere e se afasta de tal modo do sentido literal, que nem sequer é visto, assim, nem é reconhecido pelos que são inteiramente mundanos. Segundo: que a Palavra, pelo fato de ser Divina, não foi escrita só para o homem, mas também para os anjos, que estão junto do homem, para que sirva, não apenas para o uso do gênero humano, mas também para o uso do céu; e que assim a Palavra é o meio que une o céu e a terra. A união existe por meio da igreja e, na verdade, pela Palavra na igreja; é por isso que a Palavra é tal e que ela se distingue de qualquer outro escrito. [3] Quanto ao que se refere, em particular, aos históricos, se eles não encerrassem do mesmo modo, com a abstração da letra, coisas Divinas e celestes, nunca a pessoa que dirigir mais adiante o seu pensamento poderia reconhecer como a Palavra é inspirada e até inspirada quanto a cada iota. Quem diria que na Palavra Divina fosse necessário fazer a narração da ação abominável das filhas de Ló, de que se trata no fim deste capítulo; da ação de Jacó, que descascou e denudou até ao branco das varinhas e as pôs em alguidares a fim de ter cordeiros de diversas cores, salpicados e malhados, além de muitos outros fatos referidos nos outros livros de Moisés, no de Josué, de Juízes, de Samuel e dos Reis, fatos que também pouco importaria saber ou não saber caso eles não encerrassem mais profundamente um arcano Divino. Se tal não sucedesse, esses livros não difeririam em coisa alguma dos outros livros históricos que, às vezes, foram de tal modo escritos, que parecem poder causar mais impressão. [4] Como o mundo dos eruditos ignora que as coisas Divinas e celestes estão interiormente ocultas até mesmo nos Livros Históricos da Palavra, os eruditos, se não fossem retidos por uma santa veneração que lhes foi inculcada desde a infância pelos livros da Palavra, diriam facilmente também em seu espírito [animo], que a Palavra não é santa senão por essa veneração, quando a verdade é que não é por isso que ela é santa, mas porque guarda um sentido interno, e que é esse sentido celeste e Divino que faz que ela una o céu com a terra, isto é, as mentes angélicas com as mentes humanas e, assim, estas com o Senhor.