. ‘E curvou-se [com] a face em terra’; que signifique a humilhação, é o que se pode ver sem necessidade de explicação. Que outrora, principalmente nas igrejas representativas, prostravam-se até o ponto de se pôr o rosto no chão, vinha isso de que a face significava os interiores do homem (n. 358, 1999), e se a punha em terra porque o pó da terra significava o que é profano e danado (n. 278); assim, representava-se desse modo que por si próprio se era profano e danado. É por isso que se prostravam aplicando a sua face contra o chão, e mesmo rolando-se no pó e nas cinzas, e também derramando pó ou cinzas sobre a cabeça, como se pode ver em Lm. 2:10; Ez. 18:30; Mq. 1:10; Js. 7:6; Ap. 17:19 e em outros lugares. [2] Por esse modo se representava o estado da verdadeira humilhação, que nunca pode existir exceto se se reconhecer que por si mesmo se é profano e danado, que, por conseguinte, não se pode de si mesmo erguer os seus olhares para o Senhor, no qual só há o Divino e a Santidade. Quanto mais, pois, o homem estiver no reconhecimento do que ele é, tanto mais ele pode estar na verdadeira humilhação, e outro tanto ele pode estar na adoração quando ele está no culto, porque em todo o culto deve estar a humilhação, e, se ela for separada dele, não há menor adoração nem, por conseguinte, o menor culto. [3] Que o estado de humilhação seja o estado essencial mesmo do culto, eis a razão: quanto mais o coração se humilha, tanto mais cessam o amor de si mesmo e todo o mal daí proveniente; e quanto mais o mal cessa, tanto mais influem do Senhor o bem e o vero, isto é, a caridade e a fé, porque o que se opõe a que a caridade e a fé sejam recebidas é principalmente o amor de si. Há, de fato, nesse amor, o desprezo em relação aos outros comparando-os a si próprio, há o ódio e a vingança se não se é venerado por eles; há a desumanidade e a crueldade, por conseguinte, os mais abomináveis de todos os males, em que o bem e o vero nunca podem ser introduzidos, porque eles são opostos.