Texto
. ‘Disse: Eis, peço, meus senhores’; que signifique o reconhecimento interior e a confissão interior do Divino Humano e do Santo Procedente do Senhor, é isso evidente pelo reconhecimento e a humilhação de que se acaba de falar. Aqui, a confissão segue imediatamente, porque a confissão consiste em que ele diz: “Eis, peço, meus senhores”. A confissão interior é a do coração, e ela existe na humilhação e, ao mesmo tempo, na afeição do bem; mas a confissão exterior é a da boca, e ela pode existir em uma humilhação fingida e em uma afeição fingida do bem; esta é nula, como com os que confessam o Senhor por sua própria honra, ou antes, pelo culto deles próprios e por proveito seu. Esses negam de coração o que eles confessam de boca.
[2] Que se diga, no plural, ‘meus senhores’, é pela mesma razão pela qual, no capítulo precedente, se diz ‘três varões’, porque do mesmo modo que lá os três varões significam o Divino mesmo, o Divino Humano e o Santo Procedente do Senhor, como acima se disse, aqui, por conseguinte, ‘os dois’ significam o Divino Humano e o Santo Procedente do Senhor. Que esses três sejam um, é o que sabe todo homem no interior da igreja, e por serem um, eles são também nomeados na continuação no singular, como no
vers. 17: “E sucedeu que, quando os tiraram fora, e disse: Escapa-te sobre a tua alma”;
vers. 19: “Eis, peço, o teu servo achou graça aos teus olhos, e fizeste grande a tua misericórdia que fizeste comigo”;
vers. 21: “E disse a ele: Eis que aceitei a tua face também quanto a esta palavra, que não destruirei a cidade”;
vers. 22: “porque não posso fazer coisa alguma até chegares lá”.
[3] Que o Divino mesmo, o Divino Humano e o Santo Procedente sejam JEHOVAH, é o que se viu no capítulo precedente, onde os três varões são aqui e ali chamados JEHOVAH, a saber, no
vers. 13: “Disse JEHOVAH a Abrahão”;
vers. 14: “Por que haverá alguma coisa maravilhosa para JEHOVAH?”;
vers. 22: “Abrahão, ele ainda estava perante JEHOVAH”;
vers. 33: “foi-Se JEHOVAH, quando acabou de falar a Abrahão”.
Consequentemente, o Divino Humano e o Santo Procedente são JEHOVAH; do mesmo modo também JEHOVAH é nomeado neste capítulo:
vers. 24: “E JEHOVAH fez chover sobre Sodoma e Gomorra enxofre e fogo de junto de JEHOVAH, do céu”.
Ver-se-á, na continuação, o sentido interno dessas palavras. (Que o Senhor seja JEHOVAH mesmo, Que é tantas vezes nomeado nos Livros Históricos e Proféticos do Antigo Testamento, é o que se viu no n. 1736.)
[4] Aqueles que são verdadeiramente homens da igreja, isto é, os que estão no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo, conhecem e reconhecem o trino, mas ainda assim eles se humilham diante do Senhor e somente a Ele adoram, pela razão, como eles sabem, que não há acesso algum ao Divino mesmo, que é chamado Pai, senão pelo Filho; e que toda santidade que pertence ao Espírito Santo procede do Senhor. Quando eles estão nessa ideia, eles não adoram nenhum outro senão Aquele por Quem tudo é e de Quem tudo procede, por conseguinte, eles adoram um só e não dispersam suas ideias em três, como têm por costume fazer muitos outros dentro da igreja.
[5] É o que se pode ver por muitos, na outra vida, também pelos eruditos, que imaginaram ter possuído mais do que todos os outros, na vida do corpo, os arcanos da fé. Estes foram examinados na outra vida para se saber que ideia eles tinham tido de Deus uno, se tinham tido a de três incriados, de três infinitos, de três eternos, de três onipotentes, e de três Senhores — porque na outra vida há comunicação das ideias — e percebeu-se manifestamente que eles tinham a ideia de três, quando, todavia, pela fé simbólica, onde se diz em termos claros que não há três incriados, nem três infinitos, nem três eternos, nem três onipotentes e nem três Senhores, mas um só, como é de fato a verdade. Eles manifestaram assim que de boca eles tinham dito, é verdade, que há um só Deus, mas tinham pensado, e alguns deles tinham crido, que há três, que podiam separar em ideias, mas não conjungir. A razão disso é que os arcanos, sejam eles quais forem, até os mais profundos, trazem com eles uma ideia, porque sem uma ideia de uma coisa não é possível pensar nela, nem mesmo retê-la na memória.
[6] Daí, na outra vida, descobre-se, na claridade do dia, qual pensamento cada um formou para si sobre Deus uno, e que fé daí resultou. E mais, quando os judeus ouvem, na outra vida, que o Senhor é JEHOVAH, e que só há um único Deus, eles nada podem objetar; mas quanto eles percebem que as ideias dos cristãos se repartiram sobre três, eles dizem que eles próprios adoram um só Deus e que os cristãos adoram três, e isso é tanto mais verdadeiro quanto os três separados na ideia não podem ser conjuntos senão pelos que estão na fé da caridade, porque o Senhor liga a mente deles a Ele mesmo.