Texto
. ‘E de manhã levantai[-vos] e ide no vosso caminho’; que signifique, assim, a confirmação no bem e no vero, é o que se pode ver pela significação de ‘levantar-se de manhã’, e pela significação de ‘ir no caminho’. Na Palavra, a ‘manhã’ significa o Reino do Senhor, assim, principalmente o bem do amor e da caridade, o que será confirmado pela Palavra no vers. 15. O ‘caminho’ significa o vero (ver n. 627). Daí se segue que, depois de terem estado em sua casa e de ali pernoitarem, o que significou que obtiveram morada no bem da caridade nele, eles ‘levantar-se-iam de manhã e iriam em seu caminho’, o que significa que ficou assim confirmado no bem e no vero.
[2] Pelo que acaba de ser dito, assim como por todo o resto, vê-se claramente quanto o sentido interno está afastado do sentido da letra e, por conseguinte, quanto ele é invisível — principalmente nos Livros Históricos da Palavra —, e que ele não se mostra a não ser que cada expressão seja explicada segundo a significação constante que ela tem na Palavra. Por isso as ideias, quando são mantidas no sentido da letra, o sentido interno só se mostra como uma coisa obscura e tenebrosa. Porém, quando as ideias são mantidas no sentido interno, o sentido da letra se mostra do mesmo modo obscuro; ele é até como coisa nenhuma para os anjos, porque os anjos não estão mais nas ideias mundanas e corporais tais como as do homem, mas estão nas ideias espirituais e celestes, nas quais as expressões são maravilhosamente mudadas do sentido da letra (quando a Palavra é lida pelo homem) para a esfera na qual estão os anjos, isto é, sobem para o céu; e isto a partir da correspondência das coisas espirituais com as coisas mundanas e das celestes com as corporais; correspondência que é muito constante, mas não ainda desvendada tal qual ela é, salvo agora na explicação quanto ao sentido interno das palavras, dos nomes e números na Palavra.
[3] Para que se saiba qual é essa correspondência, ou o que é o mesmo, como as ideias mundanas e corporais passam a ideias espirituais e celestes correspondentes quando aquelas são elevadas para o céu, seja por exemplo a ‘manhã’ e o ‘caminho’: quando se lê ‘manhã’, como aqui ‘levantar-se de manhã’, os anjos não têm a ideia da manhã de um dia, mas têm a ideia da manhã no sentido espiritual, assim, uma ideia semelhante àquela que se acha em Samuel:
“A rocha de Israel, ... Esse [é] como a luz da manhã quando nasce o Sol, uma manhã sem nuvens” (2Sm. 23:3, 4).
E em Daniel:
“O Santo disse para mim: Até a tarde, quando vem a manhã, dois mil [e] trezentos” (8:14, 26).
Assim, em vez da ‘manhã’, os anjos percebem o Senhor ou o Seu Reino ou as coisas celestes do amor e da caridade, e até essas coisas celestes com variedade segundo a série das coisas na Palavra que é lida pelo homem.
[4] O mesmo sucede quando é lida a palavra ‘caminho’, como aqui, “ir no vosso caminho”. Os anjos não podem ter ideia alguma do caminho, mas têm uma outra espiritual ou celeste, a saber, semelhante a que está em João, quando o Senhor disse:
“Eu sou o caminho e a verdade” (14:6);
e a que está em Davi:
“Os Teus caminhos, JEHOVAH, faz conhecidos a mim; conduz o meu caminho na verdade” (Sl. 25:4, 5);
e em Isaías:
“O caminho das inteligências, conhecido fez-lhe” (40:14).
Assim, em vez do caminho eles percebem o vero, isso tanto nos históricos como nos proféticos da Palavra, porque os anjos não se ocupam mais dos históricos, porque eles não são de modo algum adequados às suas ideias, por isso, em vez dos fatos históricos, eles percebem coisas que pertencem ao Senhor e a Seu Reino, e que, no sentido interno, se seguem mesmo em uma bela ordem e em uma série harmoniosa. É a fim de que a Palavra seja também para os anjos que todos os históricos nela são representativos, e que cada palavra é significativa de coisas espirituais ou celestes, o que é particular a Palavra a exceção de qualquer outro escrito.