. ‘E cozeu ázimos’; que signifique a purificação, é o que se vê pela significação do ‘ázimo’, ou ‘pão sem fermento’. O ‘pão’, na Palavra, significa em geral toda comida celeste e espiritual, assim, em geral todas as coisas celestes e todas as coisas espirituais (n. 276, 680, 1798, 2165, 2177). O ‘pão ázimo’ representava que essas coisas eram sem as coisas que são impuras, porque o ‘fermento’ significa o mal e o falso que fazem impuras e profanas as coisas celestes e espirituais; é por causa dessa representação que se ordenou aos que eram da Igreja Representativa só oferecerem nos sacrifícios pão, ou minchah, que estivesse sem fermento, ou ázimo, como se vê em Moisés: “Toda minchah que trouxerdes a JEHOVAH não será feito com fermento” (Lv. 2:11). No mesmo: “Não sacrificarás sobre [pão] levedado o sangue do Meu sacrifício” (Êx. 23:18; 34:25). [2] É por isso que também se ordenou não comer, durante os sete dias da Páscoa, outro pão senão o pão sem fermento, ou ázimo. A esse respeito se fala assim em Moisés: “Sete dias ázimos comereis, também no primeiro dia fareis cessar o fermento de vossas casas, porque quem comer [pão] fermentado, será cortada essa alma de Israel, desde o primeiro dia até o sétimo. [...] No primeiro [mês], no décimo quarto dia do mês, de tarde, comereis ázimos, até o vigésimo primeiro dia do mês, de tarde, durante sete dias, o fermento não se encontrará nas vossas casas, porque aquele que comer [pão] fermentado será cortada essa alma da assembleia de Israel, tanto o peregrino como o indígena da terra” (Êx. 12:15, 18–20); além de outros lugares, como: Êx. 13:6, 7; 23:15; 34:18; Dt. 16:3, 4, é daí que a Páscoa foi chamada ‘a Festa dos Ázimos’ (Lv. 23:6; Nm. 28:16, 17; Mt. 26:17; Lc. 22:1, 7). [3] Em outra parte, pela Divina Misericórdia do Senhor, mostrar-se-á que a Páscoa representava a glorificação do Senhor, e assim a conjunção do Divino com o gênero humano; e como a conjunção do Senhor com o gênero humano se opera pelo amor e caridade e pela fé procedente, esses celestes e esses espirituais eram representados pelo pão ázimo que se devia comer durante os dias da Páscoa, e para que não fossem manchados por alguma coisa de profano, o pão levedado foi, em consequência, proibido com tanta severidade que os que o comiam eram cortados. É, com efeito, impossível que os que profanam as coisas celestes e espirituais não pereçam. Qualquer um pode ver que, sem esse arcano, nunca esse rito teria sido prescrito sob uma pena tão severa. [4] Tudo que tinha sido ordenado nessa igreja, até mesmo a cocção, representava um arcano; o mesmo sucedia com cada uma das coisas que os filhos de Israel fizeram quando eles saíram do Egito, a saber, no fato de que se lhes ordenou “que comessem, naquela noite, ...carne assada ao fogo e ázimos sobre [ervas] amargas; que não comessem nada cru nem cozido em água; ...a cabeça sobre as coxas; ...que nada deixassem até a manhã; que queimassem o restante no fogo” (Êx. 12:8–10). Havia uma representação em cada uma dessas coisas, a saber, que ‘comessem de noite’, a ‘carne assada ao fogo’, os ‘ázimos sobre [ervas] amargas’, a ‘cabeça sobre as coxas’, ‘nada de cru’, ‘nada cozido em água’, de ‘nada deixar até a manhã’ e ‘queimar no fogo o que restasse’; mas esses arcanos não se manifestam de modo algum exceto se forem desvendados por meio do sentido interno. Pode-se, somente por isso, ver que [na Palavra] tudo é Divino. [5] O mesmo sucedia com o rito a respeito do nazireu: “Que o Sacerdote devia tomar a espádua cozida do carneiro, e um bolo ázimo do cesto, e um bolo fino ázimo, e pô-los sobre as palmas das mãos do nazireu depois de ter aparado o seu nazireado” (Nm. 6:19). Quem não souber que o nazireu representava o homem celeste mesmo também não sabe que todas essas coisas, tanto em geral como em particular, envolvem coisas celestes, por conseguinte, arcanos que não se manifestam na letra, isto é, a ‘espádua cozida do carneiro’, ‘um bolo sem fermento’, ‘um bolo fino sem levedo’, e ‘um corte de cabelos’. Sendo assim, pode-se ver que opinião devem tomar da Palavra os que não creem que ela encerra um sentido interno, pois, sem o interno, cada uma dessas coisas é sem importância; mas desde que se afaste o cerimonial, ou o rito, tudo ali se torna Divino e Santo; o mesmo acontece com todo o resto e, por conseguinte, com o ázimo, que é o santo do amor, ou o santo dos santos, como se vê também em Moisés: “Os ázimos restantes serão comidos por Aharão e os filhos dele no lugar santo; ... porque [são] esses o santo dos santos” (Lv. 6:9, 10 [Em JFA, 6:16, 17]). O ‘pão ázimo’ é, pois, o amor puro, e o ‘cozimento do ázimo’, a purificação.