. Que ‘traze-os a nós, e conheçamo-los95’ signifique que se queria mostrar que é um falso o reconhecer que eles existem, a saber, o Divino Humano e o Santo Procedente, é o que se vê pela significação dos dois anjos dada acima (n. 2320); e também pela afeição de ira com a qual são pronunciadas essas palavras e na qual o que se diz é negativo. [2] Aqui se descreve o primeiro estado da igreja devastada, isto é, quando começa a não haver mais fé porque não há mais caridade alguma; estado que consiste, como se disse, em que, estando contra o bem da caridade, eles também estão sem nenhuma fé, principalmente sem reconhecimento algum do Divino Humano e do Santo Procedente do Senhor. É o que negam em seu coração todos aqueles que estão na vida do mal, a saber, todos aqueles que menosprezam os outros comparando-os a si próprios, todos os que têm ódio contra qualquer um que não os venere, que experimentam prazer na vingança e até na crueldade, e olham como nada os adultérios. Em seu tempo, os fariseus, que negavam abertamente o Divino do Senhor, faziam menos pior do que tais homens de hoje que, pelo culto de si próprios e por um vergonhoso ganho, prestam exteriormente um culto santo ao Senhor, enquanto essa profanação está interiormente oculta neles. O estado deles, tais quais eles se tornam sucessivamente, é representado no que segue pelos homens de Sodoma e, finalmente, pela destruição dessa cidade (vers. 24, 25). [3] O homem, assim como se tem dito muitas vezes, é tal que há junto dele maus espíritos e, ao mesmo tempo, anjos; pelos maus espíritos ele comunica com o inferno, pelos anjos ele comunica com o céu (n. 687, 697). Portanto, quanto mais a sua vida se aproxima do mal, outro tanto influi o inferno, mas tanto quando a sua vida se aproxima do bem, outro tanto influi o céu e, por conseguinte, o Senhor. Daí, é evidente que os que estão na vida do mal não podem reconhecer o Senhor, mas forjam contra Ele inúmeros erros, porque influem do inferno fantasias que eles adotam; mas os que estão na vida do bem, estes reconhecem o Senhor, porque neles influi o céu, no qual o amor e a caridade são o principal, pois o céu pertence ao Senhor, de Quem procedem todas as coisas referentes ao amor e à caridade (n. 537, 540, 547, 548, 551, 553, 685, 2130).