. ‘E fechou a entrada atrás de si’; que signifique a fim de que eles não violassem o bem da caridade e não negassem o Divino Humano nem o Santo Procedente do Senhor, é o que se vê pelo que acaba de ser dito; ‘fechar a entrada’ é para que não entrem, e aqui, é a fim de que eles não entrem no bem significado pela casa, e, por conseguinte, a fim de que eles não cheguem até o Divino e ao Santo do Senhor. [2] Essas palavras encerram também arcanos mais secretos, cujo sentido e cuja ideia chegam aos anjos quando são lidas, a saber, que os que estão na vida do mal não são admitidos além da cognição do bem e do Senhor, mas eles não chegam até o reconhecimento mesmo, nem à fé. O motivo é que enquanto estiverem no mal, eles não podem estar ao mesmo tempo no bem. Ninguém pode servir ao mesmo tempo a dois senhores. Aquele que uma vez reconhece e crê, se voltar a vida do mal, profana o bem e a santidade, enquanto aquele que não reconhece e não crê não pode profanar. É por isso que a Divina Providência do Senhor vela para que o homem não seja introduzido no reconhecimento mesmo e na fé do coração senão tanto quando ele pode depois ser neles mantido, e isso, por causa da pena da profanação, que é a mais terrível de todas as penas do inferno. [3] Eis por que hoje em dia é concedido a um tão pequeno número de homens o crer do fundo do coração que o bem do amor e da caridade é o céu no homem, e que todo Divino está no Senhor, porque hoje se está na vida do mal. É isso portanto o que é interiormente significado por estas palavras: “Ló fechou a entrada atrás de si”; porque essa entrada era a porta interior pela qual se entrava na casa mesma, onde estavam os anjos, isto é, se entrava no bem em que está o Senhor.