Texto
. Que ‘fecharam a entrada’ signifique que também se impeça todo o acesso para junto deles, é isso evidente pela significação da ‘entrada’, que é o que introduz (n. 2356, 2357, 2376), assim, é o acesso. Por isso é que ‘fechar a entrada’ significa impedir o acesso. Na outra vida o acesso é ainda impedido nisto, que os bons são separados dos maus para que não possam ser infestados pelas esferas das persuasões do falso e das cobiças do mal, porque a exalação do inferno não pode penetrar no céu. Na vida do corpo o acesso é impedido nisto, que os princípios e as persuasões do falso não podem produzir efeito algum junto dos que estão no bem: os anjos que estão com eles, desde que algum falso do mal ou algum mal do falso é insinuado, quer no discurso por um homem mau, quer no pensamento por um mau espírito ou por um mau gênio, desviam isso logo e o inclinam para algum vero ou para algum bem no qual esses homens foram confirmados; e isso, de qualquer modo que eles tenham sido infestados quanto ao corpo, porque os anjos consideram este como nada relativamente à alma.
[2] Quando o homem ainda está nos corporais ele se acha em uma ideia obscura e em uma percepção obscura tão gerais (n. 2367), que dificilmente sabe se está ou não está no bem da caridade, e isso porque ele não sabe o que é a caridade nem o que é o próximo; mas cumpre saber quais são esses homens. No bem da caridade estão todos os que têm a consciência, isto é, os que não querem se afastar em nada da proximidade mesma do justo e do equitativo, do bem e do vero, porque isso provém da consciência; e os que, por conseguinte, pensam o bem de seu próximo e lhe querem o bem ainda que este fosse o seu inimigo, e isso, sem esperança alguma de retribuição; são estes que estão no bem da caridade, estejam fora da igreja ou dentro dela. Os que estão dentro da igreja adoram o Senhor e escutam e fazem de bom grado o que Ele ensinou.
[3] Ao contrário, os que estão no mal não têm consciência; eles só se importam com o justo e o equitativo tanto quanto eles podem adquirir uma reputação para si aparecendo como justos e equitativos. Eles não sabem o que é o bem e o vero que afetam a vida espiritual, e até mesmo rejeitaram essa vida como nula. Além disso, eles pensam o mal do próximo e lhe querem o mal; e lhe fazem o mal ainda que seja a seu amigo, se não lhe é favorável, e experimentam prazer nesse mal; e se fazem algum bem, é segundo um fim de retribuição. Tais homens, dentro da igreja, negam secretamente o Senhor e o negam abertamente tanto quanto a sua honra, ganho, reputação ou vida não correm risco.
[4] Contudo, deve-se saber que há alguns que creem não estar no bem e, entretanto, estão; é porque eles, quando refletem consigo sobre esse assunto, logo os anjos em cuja sociedade eles estão insinuam-lhes que eles não estão no bem, para que eles não atribuam a si o bem e para que os seus pensamentos não se dirijam sobre o mérito de si próprios e que assim se ponham acima dos outros; se acontecesse de outro modo, eles cairiam nas tentações.
[5] Se, ao contrário, alguns creem estar no bem e, entretanto, não estão, é porque eles, quando refletem sobre esse assunto, logo os maus gênios e os maus espíritos em cuja companhia eles estão insinuam-lhes que eles estão no bem, porque eles creem que o prazer do mal é o bem; até se lhes sugere que o que eles fizeram de bem aos outros por motivos de amor de si próprio e do mundo é um bem que deve ser recompensado, mesmo na outra vida. E eles creem assim que têm mais mérito do que os outros, os quais eles desprezam comparando-os a si próprios, e pelos quais eles não têm estima alguma. E o que é surpreende é que se esses pensassem de outro modo cairiam em tentações em que sucumbiriam.