. ‘Porque nós destruiremos este lugar’; que signifique que o estado do mal em que eles estavam os danava, é o que se vê pelo sentido da palavra ‘destruir’ quando predicada do Senhor, que é, no significado interno, perecer pelo mal, isto é, ser danado; e então pela significação de ‘lugar’, que é o estado do mal (n. 2393). Na Palavra se diz muitas vezes que JEHOVAH destrói, mas entende-se, no sentido interno, que o homem destrói a si próprio, uma vez que, JEHOVAH, ou o Senhor, não destrói a quem quer que seja; mas como parece que isso se faz por JEHOVAH, ou o Senhor, porque Ele vê todas e cada uma das coisas e porque Ele governa tudo em geral e em particular, essa locução se encontra muitas vezes na Palavra a fim de que por esse modo os homens sejam mantidos na ideia, muito geral, que tudo está sob os olhos do Senhor e que tudo está sob o seu auspício. Quando eles são retidos primeiro nessa ideia, podem depois ser facilmente instruídos. Com efeito, as explicações da Palavra quanto ao sentido interno não são senão das coisas que são singulares, que esclarecem a ideia geral. [2] Há ainda uma outra razão, é que os que não estão ainda em amor algum são mantidos no temor, e assim veneram o Senhor e se refugiam para junto d’Ele em busca de libertação. Sendo assim, vê-se que em nada é prejudicial crer no sentido da letra, ainda que o sentido interno ensine outra coisa, contanto que isso se faça na simplicidade do coração; mas isso será mais plenamente exposto no vers. 24 (n. 2447), onde se diz que “JEHOVAH fez chover sobre Sodoma e Gomorra enxofre e fogo”. Como os anjos estão no sentido interno, eles estão de tal modo afastados de pensar que JEHOVAH, ou o Senhor, destrua alguém, que, ao contrário, eles não podem sequer suportar a ideia de uma tal coisa. Por isso, quando essas expressões e outras semelhantes são lidas pelo homem na Palavra, o sentido da letra é como rejeitado para trás, e acaba por cair neste sentido: que é o mal mesmo que destrói o homem e que o Senhor não destrói ninguém, como se pode ver pelo exemplo dado (n. 1875).