Texto
. Que ‘disse: Levantai-vos, saí deste lugar’ signifique que eles não deveriam ficar no estado do mal, é o que se vê pela significação de ‘levantar-se’ e ‘sair’, então, do ‘lugar’. Muitas vezes, na Palavra, lê-se a expressão ‘levantar-se’, mas pouco se pensa o que ela significa ulteriormente, porque ela está no número das expressões familiares; mas no sentido interno ela envolve a elevação, como aqui, do mal ao bem, pois a mente se eleva quando ela se afasta do mal (n. 2388). ‘Sair’ é afastar-se ou não permanecer. O ‘lugar’, por sua vez, é o estado do mal (n. 2393). Sendo assim, é evidente que tal é a significação dessas palavras.
[2] Já se disse, muitas vezes, quais são os que estão nas cognições do vero mas, ao mesmo tempo, na vida do mal, a saber, que enquanto eles estão na vida do mal, eles nada creiam, porque querer o mal e, por consequência, praticar o mal, é inteiramente incompatível com o reconhecer o vero pela fé. Daí é também evidente que o homem não pode ser salvo pelo fato de pensar e pronunciar o vero e até o bem quando ele não quer, e quando pelo seu querer ele só pratica o mal. O querer mesmo do homem é o que vive depois da morte, não sucede isso com o seu pensar que não dimana de seu querer.
[3] Por isso, como o homem é tal qual é o seu querer, pode-se ver o que ele deve pensar dos veros da fé que ele recebeu e que ele até mesmo ensinou, pois esses veros o condenam; tanto quanto ele se afasta, então os tem em aversão, e mesmo, tanto quanto lhe é permitido, ele os blasfema, assim como faz a turba do diabo. Os que não foram instruídos a respeito da vida depois da morte podem pensar que lhes é então fácil receber a fé quando virem que o Senhor governa todo o céu e quando souberem que o céu consiste em amor ao Senhor e ao próximo; mas os maus estão tão afastados da possibilidade de receber a fé, isto é, de crer essa verdade segundo o seu querer, quanto o inferno está afastado do céu; porque estão inteiramente no mal e, pelo mal, inteiramente no falso. Basta a sua aproximação ou a sua presença somente, para se conhecer e se perceber que eles estão contra o Senhor e contra o próximo, portanto, contra o bem e, por conseguinte, contra o vero. Há uma esfera abominável que exala da vida se sua vontade e do pensamento que procede de sua vontade (n. 1048, 1053, 1316, 1504).
[4] Se fosse possível que na outra vida eles cressem e se tornassem bons pela instrução somente, não haveria um só deles no inferno, porque o Senhor quer, tantos quantos eles são, elevá-los para Ele no céu. A sua Misericórdia é de fato infinita por isso, que ela é Divina; ela na verdade se exerce para com todo o gênero humano, portanto, tanto para os maus como para com os bons.