. ‘Eis, peço-te, o teu servo achou graça aos teus olhos’; que signifique a humilhação proveniente da afeição do vero; ‘e grande fizeste a tua misericórdia’; que signifique uma semelhança da humilhação que provém da afeição do bem, é o que se pode ver pelas coisas que foram anteriormente ditas a respeito da ‘graça’ e da ‘misericórdia’ (n. 598, 981). Com efeito, os que estão na afeição do vero não podem se humilhar a ponto de reconhecerem de coração que todas as coisas pertençam à misericórdia; por isso, em vez de dizerem ‘misericórdia’ dizem ‘graça’. E mesmo, quanto menos há neles afeições do vero, tanto menos há humilhação quando eles pronunciam a palavra ‘graça’; mas vice-versa, quanto mais há afeição do bem em alguém, tanto mais há humilhação nele quando ele pronuncia a palavra ‘misericórdia’. Vê-se, por esse modo, quanto a adoração e, por conseguinte, o culto dos que estão na afeição do vero, diferem da adoração e do culto dos que estão na afeição do bem; por isso que para que haja culto deverá haver adoração, e para que haja adoração deverá haver humilhação, e isso em tudo que pertence ao culto tanto em geral como em particular; daí se vê claramente por que se diz aqui tanto graça como misericórdia.