ac 2441

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘O Sol saiu sobre a terra’; que signifique o último tempo, que é chamado juízo final, isso é evidente pela significação do ‘levantar do Sol’ quando se trata dos tempos e dos estados da igreja. Que os tempos do dia, como também os tempos do ano, signifiquem, no sentido interno, os estados da igreja, é o que se mostrou antes (n. 2323); e que a aurora ou a manhã signifique o Advento do Senhor, ou a aproximação de Seu Reino, também se viu (n. 2405). Assim, agora o levantar do Sol ou “saiu sobre a terra” significa a presença mesma do Senhor, e isso porque o sol, assim como o oriente, significa o Senhor. (Que o sol, ver n. 31, 32, 1053, 1521, 1530, 1531, 2120; e que o oriente, n. 101).
[2] Que a presença do Senhor seja a mesma coisa que o último tempo que se chama juízo, é porque a sua presença separa os bons de junto dos maus, e tem consigo que os bons sejam elevados ao céu e que os maus se precipitem no inferno. Eis, com efeito, como a coisa se passa na outra vida: O Senhor é o Sol para todo o céu (n. 1053, 1521, 1529, 1530, 1531), porque o Divino celeste de Seu amor é o que aparece assim diante dos olhos dos anjos e constitui efetivamente a luz mesma do céu. O tanto que se está, pois, no amor celeste, outro tanto se é elevado nessa luz celeste que procede do Senhor; mas quanto mais estão afastados do amor celeste, tanto mais se afastam da luz para se precipitar nas trevas infernais.
[3] Daí vem que o ‘sair do Sol’, pelo qual é significada a presença do Senhor, encerre tanto a salvação dos bons como a danação dos maus; e que agora se diga, em primeiro lugar, que “Ló chegou a Zoar”, isto é, que os homens representados aqui por Ló foram salvos, e depois, que “JEHOVAH fez chover sobre Sodoma e Gomorra enxofre e fogo”, isto é, que os maus foram danados.
[4] Quanto aos que estão nos males do amor de si e do mundo, isto é, que estão nos ódios contra tudo que pertence ao amor ao Senhor e à caridade para com o próximo, a luz do céu lhes aparece na verdade como uma obscuridade, por isso se diz na Palavra, que “o Sol se escureceu para eles”, o que significa que eles rejeitaram tudo que pertence ao amor e à caridade e receberam tudo que lhe é oposto; como em Ezequiel:
“Cobrirei, quando te extinguir, os céus, e escurecerei as estrelas deles; cobrirei o Sol com uma nuvem, a Lua não fará luzir a sua luz. Todos os luzeirosde luz nos céus enegrecerei sobre ti; porei trevas sobre a tua terra, ...” (32:7, 8).
Qualquer um pode ver que por ‘cobrir os céus’, ‘enegrecer as estrelas’, ‘cobrir o Sol’, ‘enegrecer os luzeiros de luz’, são significadas outras coisas.
[5] Do mesmo modo em Isaías:
“[...] Escurecerá o Sol no seu subir, e a Lua não fará resplandecer a sua luz” (13:9, 10);
e em Joel:
“[...] O Sol e a Lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu esplendor” (2:2, 10).
Deve-se, pois, ver claramente o que significam estas palavras do Senhor, em Mateus, quando se trata do último tempo da igreja, que é chamado Juízo:
“Logo depois da aflição desses dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu” (24:29);
isto é, que pelo ‘sol’, a ‘lua’ e as ‘estrelas’ não se entendem o Sol, a Lua nem as estrelas, mas que pelo ‘sol’ seja significado o amor e a caridade, pela ‘lua’, a fé que daí procede, e pelas ‘estrelas’, as cognições do bem e vero; que então se diga ‘perder a sua luz’ e ‘cair do céu’, quando não há mais reconhecimento do Senhor e nenhum amor a Ele, nem caridade para com o próximo; todas essas coisas se tornando nulas, o amor de si, com todos os falsos que dele procedem, se apodera do homem, porque um é a consequência do outro.
[6] É daí também que em João se diz:
“O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e se lhe deu queimar os homens pelo fogo, e assim foram queimados os homens por um calor grande, e blasfemaram o nome de Deus” (Ap. 16:8, 9);
onde também se trata dos últimos tempos da igreja, quando todo amor e toda caridade se apagam, ou falando a linguagem ordinária, quando não há mais fé. É a extinção do amor e da caridade que se entende pela ‘taça derramada no sol’, e desde então, é o amor de si e as suas cobiças que se entende pelo ‘fogo que queima os homens e que os abrasa de um grande calor’; a ‘blasfêmia do nome de Deus’ é a consequência disso.
[7] Pelo ‘sol’ a Igreja Antiga não entendia outra coisa senão o Senhor e o Divino celeste de Seu amor; por isso, pelo seu rito, eles se voltavam para o oriente para orar, não pensando no Sol mesmo. No entanto, na continuação, os seus pósteros, tendo perdido o sentido desse rito com todos os outros representativos e significativos, começaram a adorar o próprio Sol e a própria Lua; e esse culto se espalhou entre muitas nações, ao ponto que elas lhes elevaram templos e lhes erigiram estátuas, e como então o Sol e a Lua tomaram um sentido oposto, eles significam o amor de si e o amor do mundo, que são absolutamente opostos ao amor celeste e ao amor espiritual. Daí, na Palavra, pelo culto do Sol e da Lua se entender o culto de si próprio e do mundo,
[8] como em Moisés:
“Para que talvez não levantes os teus olhos para o céu, e vejas o Sol e a Lua; e as estrelas, todo o exército dos céus e não sejas impelido, e não te curves a eles e os sirvais” (Dt. 4:19);
e no mesmo:
“Se for, e servir a outros deuses, [e se curvar a eles], e ao Sol ou à Lua, ou a todo exército dos céus, o que não ordenei, [...] então os apedrejarás com pedras e morrerão” (Dt. 17:3, 5);
é, pois, em uma tal idolatria que se mudou o culto antigo, quando os homens não creram mais que nada de interno fosse significado nos ritos da igreja, e que eles consideraram somente o externo.
[9] Entende-se a mesma coisa em Jeremias:
“Nesse tempo os ossos dos reis de Judá, dos príncipes dos sacerdotes, dos profetas e dos habitantes de Jerusalém, ... serão expostos ao Sol e à Lua, e a todo o exército dos céus, a quem amaram e aos quais serviram, ...” (8:1, 2);
o ‘Sol’ designa o amor de si e as suas cobiças; que ‘serão expostos os ossos’ significa as coisas infernais que provêm desse amor e de suas cobiças: No mesmo:
“Quebrará os pilares da casa do Sol, que [estão] na terra do Egito, e as casas dos deuses do Egito queimará no fogo” (Jr. 43:13);
os ‘pilares da casa do Sol109’ são o culto de si mesmo.

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