ac 2447

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que ‘de junto de JEHOVAH, do céu’ signifique que é pelas leis da ordem quanto ao vero, porque eles se separam de junto do bem, é o que não se pode ver a não ser por meio do sentido interno, pelo qual se descobre o que acontece com as punições e as danações, a saber, que nunca elas vêm de JEHOVAH, isto é, do Senhor, mas vêm do próprio homem, do mau espírito e do diabo; e isso pelas leis da ordem quanto ao vero, porque se separa de junto do bem.
[2] Toda ordem existe por JEHOVAH, isto é, pelo Senhor; é segundo esta ordem que o Senhor governa todas as coisas, tanto em geral como em particular, mas com múltiplas diferenças, a saber, por ‘vontade’, por ‘beneplácito’110, por ‘tolerância’ e por ‘permissão’. As leis da ordem quanto ao bem pertencem às coisas que são feitas por vontade e beneplácito e muitas também que o são por tolerância, e até algumas que o são por permissão; mas quando o homem se separa do bem, então ele se lança nas leis da ordem que pertencem ao vero separado do bem; essas são tais que elas danam, porque todo vero dana o homem e o lança no inferno. Não obstante, o Senhor, a partir do bem, isto é, da misericórdia, salva o homem e o eleva ao céu. Daí se pode ver que é o próprio homem quem dana a si mesmo.
[3] As coisas que se fazem por permissão, ordinariamente são tais como, por exemplo, que um diabo puna e atormente um outro diabo, sem falar de muitas outras, que são inúmeras; essas coisas provêm das leis da ordem quanto ao vero separado do bem, pois de outro modo os diabos não poderiam ser mantidos nos vínculos, e seria impossível retê-los de se precipitarem contra todos que são probos e bons e de os perderem pela eternidade. Para que tal coisa não suceda, é o bem que é considerado pelo Senhor. Dá-se isso como com o que sucederia numa terra onde, se um rei clemente e brando, que só tem em vista e pratica o bem, a não ser que tolerasse que as suas leis punissem os maus e os criminosos — ainda que ele mesmo não punisse pessoa alguma, mas se afligisse de que haja os que são tais que os males devam ser punidos —, deixasse seu próprio reino para pilhagem de tais indivíduos, o que seria da maior inclemência e da maior desumanidade.
[4] É evidente por tudo isso, que nunca JEHOVAH fez chover fogo e enxofre, isto é, condenou pessoa alguma ao inferno, mas que os homens que estiveram no mal e, por conseguinte, no falso, fizeram a sua própria danação, pela razão que eles se separaram do bem e, assim, se lançaram nas leis da ordem procedentes do vero só. Daí, agora resulta que esse sentido é o sentido interno dessas palavras.
[5] Que na Palavra o mal seja atribuído a JEHOVAH, ou seja, ao Senhor, assim como a punição, a maldição, a danação e muitas outras coisas, como aqui, que se diz que Ele fez chover enxofre e fogo, é o que se vê em Ezequiel:
“Disputarei com ele pela peste e pelo sangue; fogo e enxofre farei chover sobre ele” (38:22).
Em Isaías:
“O sopro de JEHOVAH [é] como um rio de enxofre ardente” (30:33).
Em Davi:
“JEHOVAH choverá sobre os ímpios ciladas, fogo e enxofre” (Sl. 11:6).
No mesmo:
“Subiu uma fumaça do nariz d’Ele, e um fogo da boca d’Ele consumiu, carvões abrasaram-se [saindo] d’Ele” (Sl. 18:9, 10 [Em JFA, 18:8, 9]).
Em Jeremias:
“Para que não saia como um fogo o Meu furor, e arda, e ninguém o extinguiria” (21:12).
Em Moisés:
“O fogo abrasou-se na Minha ira, e arderá até o inferno ínfimo” (Dt. 32:22);
além de semelhantes expressões em muitos outros lugares. Na Primeira Parte explicou-se o porquê de tais coisas serem atribuídas, na Palavra, a JEHOVAH, ou ao Senhor (n. 223, 245, 592, 589, 696, 735, 1093, 1638, 1683, 1874); com efeito, tanto está longe que tais coisas venham do Senhor, como está muito longe que o bem venha do mal, ou que o céu venha do inferno, ou que o Divino venha do diabólico. É o mal, o inferno e o diabo que assim fazem, e não é de forma alguma o Senhor, Que é a Misericórdia mesma e o Bem mesmo; mas porque tal parece, elas Lhe são atribuídas pelas razões explicadas nas passagens que acabam de ser citadas.
[6] Como se diz neste versículo que “JEHOVAH fez chover de junto de JEHOVAH, do céu”, parece, no sentido da letra, que eles eram dois, um na terra e o outro no céu; mas o sentido interno ensina como se deve entender também isso, a saber, que por ‘JEHOVAH’ nomeado em primeiro lugar se entende o Divino Humano e o Santo Procedente do Senhor, compreendido neste capítulo pelos ‘dois Varões’; e que por JEHOVAH nomeado em segundo lugar se entende o Divino mesmo, que é chamado ‘Pai’, de que se tratou no capítulo precedente; e que esse trino está no Senhor, como Ele mesmo o diz em João:
“Quem vê a Mim vê o Pai; ... crede-Me, que Eu [estou] no Pai, e o Pai em Mim” (14:9–11).
E a respeito do Santo Procedente Ele diz no mesmo:
“O Paracleto não falará por si mesmo, ... do que [é] Meu receberá, e a vós o anunciará” (16:13–15);
assim, não há senão um só JEHOVAH, embora aqui sejam mencionados dois; se dois são nomeados, é porque todas as leis da ordem vêm do Divino mesmo, do Divino Humano e do Santo Procedente do Senhor.

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