ac 2449

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que ‘derribou aquelas cidades’ signifique que todos os veros foram separados deles a fim de que só houvesse os falsos neles, é o que se vê pela significação das ‘cidades’, que são os doutrinais, por conseguinte, os veros, porque eles pertencem aos doutrinais (n. 402, 2268, 2428). Diz-se que as “cidades são derrubadas” quando os falsos tomam o lugar dos veros. Aqui, como todos os veros foram separados deles, então também o foram todos os bens de que também se trata neste versículo, porque se trata do último estado dos que, no interior da igreja, estão nos falsos e nos males; tal se torna também o estado deles. Para que saiba qual é esse estado, devem ser ditas algumas poucas palavras:
[2] Os que entram na outra vida são todos repostos em uma vida semelhante à que eles tiveram no corpo; e depois, nos bons, os males e os falsos são separados, a fim de que pelos bens e os veros eles sejam elevados pelo Senhor ao céu; mas, nos maus, os bens e os veros são separados deles, a fim de que pelos males e os falsos eles sejam arrastados ao inferno (ver n. 2119), absolutamente conforme as palavras do Senhor em Mateus:
“A quem tem, ser-lhe-á dado, para que tenha abundantemente; mas a quem não tem, mesmo o que tem ser-lhe-á tirado” (13:12);
e em outra passagem, no mesmo:
“Ao que tem será dado, para que abunde; mas daquele que não tem, ser-lhe-á tirado” (Mt. 25:29; Lc. 8:18; 19:24-26; Mc. 4:24, 25).
É ainda o que é significado por estas outras palavras em Mateus:
“Deixai-os crescer juntamente um e outro até a ceifa [messem], e sucederá [que], no tempo da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio e reuni-o em feixes para o queimar; o trigo, porém, ajuntai-o no Meu celeiro. [...] a ceifa é a consumação do século, ... Do mesmo modo que se colhe o joio, que no fogo é queimado, assim será na consumação do século” (13:30, 39, 40).
É também o que significa o que se disse a respeito da rede lançada ao mar e contendo peixes de diversas espécies [generis], que os bons são, depois, recolhidos em vasilhas e os maus lançados fora, e que assim deve acontecer na consumação do século, no mesmo capítulo (vers. 47–50). O que é a consumação, e que ela envolva coisas semelhantes quanto à igreja, foi visto (n. 1857, 2243). Se há separação dos males e dos falsos nos bons, é para que eles não fiquem suspensos [ne pendeant] entre os males e os bens, mas para que, pelos bens, eles sejam elevados ao céu; e se há separação dos bens e dos veros nos maus, é a fim de que, por alguns bens que estão com eles, não seduzam os probos, e a fim de que, pelos males, eles se retirem para entre os maus que estão no inferno, porque há, na outra vida, uma tal comunicação de todas as ideias do pensamento e de todas as afeições, que os bens se comunicam com os bons e os males com os maus (n. 1388, 1389, 1390). Se não houvesse, pois, separação, resultariam daí danos inúmeros, além de que sem isso não se faria consociação alguma, e, entretanto, todas as coisas foram consociadas com a maior exatidão, nos céus segundo todas as variedades do amor ao Senhor e do amor mútuo, e, por conseguinte, da fé (n. 685, 1394); e nos infernos segundo todas as variedades das cobiças e das fantasias que delas provêm (n. 695, 1322). Mas cumpre saber que a separação não é um arrebatamento absoluto, porque nada do que alguém teve lhe é retirado de um modo absoluto.

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