Texto
. Que ‘tornou[-se] estátua de sal’ signifique que todo bem do vero foi devastado, é o que se pode ver pela significação da ‘estátua’ e pela significação do ‘sal’. A ‘estátua’, na língua original, é expressa por meio de um vocábulo pelo qual é significada a estação113 , e não pelo qual uma estátua é erguida, quer para um culto, quer para um sinal ou para um testemunho, de sorte que a ‘estátua de sal’, aqui, significa que ele ficou devastado, a saber, o vero significado pela esposa de Ló (n. 2454); o vero se diz então devastado quando o bem não está mais nele; a devastação mesma é significada pelo ‘sal’.
[2] Como a maioria das coisas na Palavra têm um duplo sentido, a saber, o sentido genuíno e o sentindo oposto, o mesmo acontece com o ‘sal’; no sentindo genuíno ele significa a afeição do vero, e no sentido oposto, a devastação da afeição do vero, isto é, do bem no vero. Que ele signifique a afeição do vero, vê-se no Êx. 30:35; Lv. 2:13; Mt. 5:13; Mc. 9:49, 50; Lc. 14:34, 35. Que ele signifique a devastação da afeição do vero, ou do bem do vero, é o que é evidente pelas passagens seguintes: Em Moisés:
“Haverá enxofre e sal, [será] uma combustão toda a terra; não será semeada, nem germinará, nem se elevará nela erva alguma, como na destruição de Sodoma e Gomorra, de Admah e Zeboim” (Dt. 29:22 [Em JFA, 29:23]);
onde o ‘enxofre’ é a devastação do bem, e o ‘sal’, a devastação do vero; cada palavra mostra claramente que é uma devastação.
[3] Em Sofonias:
“Moab será como Sodoma, e os filhos de Ammon, como Gomorra; o lugar [será] abandonado à urtiga, e uma cova de sal, e uma desolação para a eternidade” (2:9);
onde o ‘lugar abandonado à urtiga’ é o bem devastado, e a ‘cova de sal’, o vero devastado. Com efeito, o ‘lugar [abandonado] à urtiga’ refere-se à Sodoma, pela qual é significado o mal ou o bem devastado, e a ‘cova de sal’ se refere à Gomorra, pela qual é significado o falso ou o vero devastado, como foi demonstrado. É evidente que é uma devastação, pois se diz “uma desolação para a eternidade”. Em Jeremias:
“[...] o que faz da carne o seu braço, ... será como um arbusto desnudado na solidão, e não verá quando virá o bem, e habitará nos lugares queimados no deserto, uma terra salgada, e [que] não é habitada” (17:5, 6);
aí, os ‘lugares queimados’ são os bens devastados, a ‘terra salgada’ são os veros devastados.
[4] Em Davi:
“JEHOVAH torna os rios em deserto, e as nascentes das águas, em aridez, a terra de fruto, em salina, por causa da maldade dos habitantes nela” (Sl. 107:33, 34);
a ‘terra de fruto mudada em salina’ está no lugar da devastação do bem no vero. Em Ezequiel:
“Os seus lamaçais e os seus pântanos, e não são saneados, em sal serão dados” (47:11);
‘Ser dado em sal’ é ser inteiramente devastado quanto ao vero. Como o ‘sal’ significava a devastação, e as cidades, os doutrinais do vero, assim como se mostrou (n. 402, 2268, 2428, 2451), semeava-se, outrora, sal sobre as cidades destruídas, a fim de que elas não fossem reedificadas (Juízes, 9:45). Aqui, é agora o quarto estado da igreja que é representada por Ló, esse estado consiste em que todo vero foi devastado quanto ao bem.