. Às vezes, na outra vida, as memórias apresentam-se à vista, tais quais elas são, em formas que só lá aparecem. (Na outra vida se apresentam muitas coisas à vista que em outra parte com os homens ocorrem somente em ideias). A memória exterior se apresenta assim para a aparência semelhante a calos, a interior como uma substância medular tal qual ela é no cérebro humano; por esse modo também se pode saber quais são essas memórias. Com aqueles que, na vida do corpo, somente se aplicaram à memória e, por conseguinte, não cultivaram o seu racional, a calosidade aparece dura e estriada por dentro. Com os que encheram a sua memória de falsidades, ela aparece cabeluda e eriçada, e isso por um acervo confuso de coisas. Com os que cultivaram a sua memória em vista do amor do mundo, ela aparece viscosa e endurecida. Com aqueles que, pelas coisas do conhecimento e, sobretudo, pelas filosóficas, quiseram penetrar nos arcanos Divinos e somente crendo quando o são por eles persuadidos, ela aparece tenebrosa e é de uma tal natureza que absorve os raios da luz e os muda em trevas. Com aqueles que foram embusteiros e hipócritas, ela parece como alguma coisa óssea e negra que repele os raios da luz. Com aqueles que, ao contrário, estiveram no bem do amor e no vero da fé, um tal corpo caloso não aparece, porque a sua memória interior transmite os raios de luz na memória exterior, nos objetos ou nas ideias da qual os raios terminam como em sua base ou como em seu húmus, aí acham receptáculos deliciosos, porque a memória exterior é o último grau da ordem em que terminam e residem, com encanto, os espirituais e os celestes, quando os bens e os veros aí estão.