Texto
. Conversei com os anjos sobre a memória das coisas passadas e, por consequência, sobre a ansiedade das coisas futuras; e fui instruído que quanto mais os anjos são interiores e perfeitos, tanto menos eles se ocupam do passado e tanto menos pensam no futuro, e que é até daí que procede a sua felicidade. Eles dizem que o Senhor lhes dá a cada momento aquilo em que pensam, isso com bem-aventurança e felicidade, e que assim eles não têm preocupações nem estão solícitos, que é o que se deve entender, no sentido interno, pelo fato de receber do céu a cada dia o maná [mann], e o pão cotidiano na Oração Dominical, então que não estarão solícitos sobre o que vão comer e beber, nem pela roupa. Mas ainda que eles não se ocupem do passado e que não estejam solícitos pelo futuro, a verdade é que eles têm uma perfeitíssima reminiscência das coisas passadas e uma perfeitíssima intuição das coisas futuras, pois, com eles, em todo presente há o passado e o futuro. É assim que eles têm uma memória mais perfeita do que jamais se poderia pensar ou exprimir.