. ‘Abrahão caminhou dali para a terra do sul’; que signifique a progressão do Senhor nos bens e veros da fé, é o que se vê pela significação de ‘caminhar’, que é progredir (n. 1457), e pela significação da ‘terra do sul’, que é o bem e vero da fé (n. 1458). Precedentemente, no décimo segundo capítulo, se disse de Abrahão, que ele caminhou indo e caminhando para o sul quando ele ia ao Egito (vers. 9, 10), o que significava, no sentido interno, que o Senhor, quando menino, progrediu nos bens e veros quanto ao conhecimento das cognições (n. 1456, 1459). Agora se diz aqui que ele “caminhou para a terra do sul”, pelo que é significada uma progressão ulterior e interior, que se faz nos bens e veros quanto à doutrina da fé118; por isso se diz aqui a ‘terra do sul’, porque a ‘terra’, em seu sentido próprio, significa a igreja, em razão da qual existe a doutrina (n. 566, 662, 1066, 2117, 2118). [2] Quanto ao que diz respeito em geral à instrução do Senhor, vê-se claramente, por este capítulo, no sentido interno, qual tinha sido, a saber, que ela tinha sido feita119 por meio de contínuas revelações e, assim, por meio de Divinas Percepções e Pensamentos, que procediam d’Ele mesmo, isto é, de Seu Divino, e que Ele implantou em Sua Divina Inteligência e em sua Divina Sabedoria, e isso até a perfeita união de Seu Humano com o Seu Divino. Esse caminho de sabedoria jamais poderia existir em homem algum, porque influi do Divino mesmo, que era o íntimo do Senhor, porque pertencia ao Pai, de Quem Ele tinha sido concebido; assim, influiu desde o Divino Amor mesmo, que esteve no Senhor só e que consistiu em que Ele queria salvar todo o gênero humano. [3] Há um arcano, ainda dificilmente conhecido de alguém, que no amor mesmo reside a sabedoria e a inteligência, mas qual é o amor, tais são a sabedoria e a inteligência. Que no amor resida a sabedoria e a inteligência, isso vem de que todo influxo se faz no amor, ou o que é o mesmo, no bem, portanto, na vida mesma do homem. Daí vem a sabedoria e a inteligência dos anjos, as quais são inefáveis. Daí vem também a sabedoria e a inteligência dos homens que estão no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo. Ainda que eles não percebam essa sabedoria neles enquanto vivem no corpo, o fato é que eles chegam nela depois da morte, e isso porque essa sabedoria está no amor mesmo e na caridade mesma (ver n. 2494). Mas quanto ao que se refere ao amor do Senhor, ele esteve infinitamente acima do amor em que estão os anjos, pois Ele foi Divino; por isso esse amor teve em si a supereminência de toda sabedoria e de toda inteligência, na qual, entretanto, porque Ele nascera homem e devia como o homem avançar segundo a Ordem Divina, o Senhor se introduziu sucessivamente, a fim de unir o Seu Humano com o Seu Divino e torná-lo Divino, e isso por seu próprio poder.