Texto
. ‘Ela [é] minha irmã’; que signifique o vero racional, é o que se vê pela significação de ‘irmã’, que é o vero intelectual racional (n. 1495). Que a ‘irmã’ seja o vero racional, não se pode ver de outra coisa senão do Casamento Celeste; com efeito, as coisas que descem dele têm proximidades entre si, assim como as consanguinidades e as afinidades na terra, a respeito das quais se viu (n. 685, 917); e isto com uma variedade infinda. O Casamento Celeste mesmo existe somente entre o Divino Bem e o Divino Vero; daí são concebidos no homem o intelectual, o racional e o que pertence ao conhecimento, porque, sem uma concepção proveniente do casamento celeste, nunca o homem pode ser imbuído de entendimento, por conseguinte, não pode ser homem. Portanto, quanto mais ele obtém do Casamento Celeste, tanto mais ele é homem. No Senhor mesmo está o Casamento Celeste, de sorte que o Senhor é esse Casamento mesmo, pois o Senhor é o Divino Bem mesmo e ao mesmo tempo o Divino Vero; os anjos e os homens estão no Casamento Celeste quanto mais estão no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo, e quanto mais estiverem na fé que procede do amor e da caridade, isto é, quanto mais estão no bem do Senhor e no vero que procede desse bem, então eles são chamados ‘filhos’ e ‘filhas’, e entre si ‘irmãos’ e ‘irmãs’, mas isso com diferença. Se o vero racional é chamado ‘irmã’ é porque ele é concebido pelo influxo do Divino Bem na afeição dos veros racionais; o bem que daí procede no racional é chamado ‘irmão’, e o vero que daí procede é chamado ‘irmã’; mas isso se tornará mais evidente pelas palavras que são ditas sobre Abrahão no vers. 12 deste capítulo:
“E também verdadeiramente [é] minha irmã, filha do meu pai ela [é]; contudo, não [é] filha da minha mãe, e tornou-se minha esposa121”.