. Que ‘ela mesma também disse: Ele [é] meu irmão’ signifique que o próprio Racional ditava que o bem celeste lhe seria adjunto, pode-se ver pela significação da ‘irmã’, que é aqui ‘ela mesma’, que é o racional (n. 1495, 2508); e pela significação do ‘irmão’, que é o bem do vero (n. 367, 2508). Com efeito, a coisa se passa assim: O Divino Bem e o Divino Vero são unidos um com o outro como que por um casamento, pois daí procede o casamento celeste e daí procede também até sobre a natureza inferior, o amor conjugal; mas o bem e o vero do Racional não são conjuntos um ao outro como por um casamento, mas o são por uma consanguinidade tal qual a que existe entre o irmão e a irmã, porque o racional, quanto ao vero, é concebido pelo influxo do Divino Bem na afeição dos conhecimentos e das cognições (n. 1895, 1902, 1910); o bem do racional, por sua vez, é concebido por meio do influxo do Divino Bem nesse vero, que aí se torna o bem mesmo da caridade, o qual é o irmão da fé, ou o que é o mesmo, [irmão] do vero (n. 367). [2] Eis, porém, o que foi estabelecido em relação ao bem e ao vero do racional: é que o seu bem procede do Divino Bem, enquanto o seu vero não procede do Vero Divino, pois o vero do racional se adquire por meio dos conhecimentos e pelas cognições que são insinuadas pelas coisas dos sentidos externos e internos, assim, por uma via externa, de onde resulta que, a partir das coisas dos sentidos, muitas falácias aderem aos veros do racional, que fazem com que os veros não sejam veros. Contudo, tanto quanto o Divino Bem influi nesses veros e os concebe, eles se mostram como veros e são reconhecidos como veros, embora sejam apenas aparências do vero. O bem mesmo é então modificado nesses veros segundo as sombras que aí estão, e ele se torna um bem tal qual é o vero; é esse o arcano único que está oculto nestas palavras: que o próprio racional ditava [ou sugeria] assim que o bem celeste lhe seria adjunto.