. Que ‘por isso não dei a ti tocá-la’ signifique que nenhum racional fora consultado, é o que se vê pela significação de ‘dar a tocar’, que é consultar, do mesmo modo que ‘aproximar-se dela’ (vers. 4, n. 2519); e pela significação de ‘Sarah’ como irmã, que aqui é ‘ela’, que é o racional (n. 1495, 2508). [2] A fim de que se conheça mais além como acontece em relação à doutrina da fé, que ela seja espiritual procedendo de uma origem celeste, cumpre saber que essa doutrina é o Vero Divino procedente do Bem Divino, que assim ela é, em tudo, Divina. O que é Divino é incompreensível, porque está acima de todo entendimento, mesmo o angélico; mas a verdade é que esse Divino, que em Si é incompreensível, pode pelo Divino Humano do Senhor, influir no racional do homem, e quando influi em seu racional, aí é recebido de acordo com os veros que nele estão, assim, de diferentes modos e de uma maneira diferente em um e em outro; isso porque, quanto mais os veros que estão no homem são genuínos, tanto mais perfeitamente também é recebido o Divino que influi, e tanto mais o entendimento do homem é iluminado. Na Palavra do Senhor estão os veros mesmos, mas em seu sentido literal estão os veros que foram acomodados à compreensão dos que estão no culto externo, enquanto em seu sentido interno estão os veros que foram acomodados aos que são homens internos, os quais, a saber, são angélicos quanto à doutrina e ao mesmo tempo quanto à vida. O racional deles é iluminado de tal modo que a iluminação é comparada ao esplendor das estrelas e do Sol (Dn. 12:3; Mt. 13:43). Vê-se, portanto, que os veros podem ser, na verdade, conhecidos, mas nunca podem ser recebidos senão pelos que estão no amor ou na fé para com o Senhor. O Senhor, com efeito, como Ele é o Divino Bem, assim também Ele é o Divino Vero, por conseguinte, Ele é a Doutrina mesma, porque tudo que está na Doutrina da verdadeira fé tem em vista o Senhor, e até o reino celeste e a igreja, bem como todas as coisas que pertencem ao reino celeste e à igreja. Mas essas coisas pertencem todas ao Senhor, e são fins intermediários pelos quais se tem em vista o fim último, isto é, o Senhor. Que o Senhor seja a Doutrina mesma quanto ao vero e ao bem e, por conseguinte, Aquele Que, só, deve ser considerado na Doutrina, é o que Ele mesmo ensina em João: “Jesus disse: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (14:6, 7); onde o ‘Caminho’ é a Doutrina, a ‘Verdade’, tudo que pertence à Doutrina, a ‘Vida’ o bem mesmo que é a vida do vero. Ele ensina, também em João, que é o amor e a fé n’Ele que recebe: “...os seus não O receberam. Todos, porém, que O receberam, deu-lhes poder para que fossem filhos de Deus, aos que creem no nome d’Ele; os que não de sangues, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas nasceram de Deus” (1:11–13); “nasceram de Deus” os que estão no amor e, por isso, na fé.