. Que ‘[que] trouxeste sobre mim e sobre o meu reino um grande pecado?’ signifique que assim a Doutrina da fé e todos os doutrinais estariam em perigo, vê-se pela significação de ‘Abimeleque’, que é aqui ‘mim’, que é a Doutrina da fé, e pela significação do ‘reino’, que é o vero da doutrina, ou o doutrinal. Que o ‘reino’, no sentido interno, signifique os veros da doutrina, e em um sentido oposto, os falsos da doutrina, é o que consta na Palavra, por exemplo, em Jeremias: “[...] Ele [é] o formador de todos, e o cetro da herança d’Ele; JEHOVAH Zebaoth [é] o nome d’Ele. Tu [és] Meu martelo, armas de guerra, e dispersarei contigo as nações, e destruirei contigo os reinos” (51:19, 20); onde se trata do Senhor, e é evidente que não são as nações que Ele deve dispersar nem os reinos que Ele deve destruir, mas as coisas que são significadas pelas nações e pelos reinos, a saber, os males e os falsos que pertencem à doutrina. [2] Em Ezequiel: “[...] Eis que hei de tomar os filhos de Israel dentre as nações aonde se foram, e os reunirei dos arredores, e os trarei para a sua terra. Fá-los-ei uma só nação na terra, nas montanhas de Israel, e um único rei para todos eles como rei, e não serão mais em duas nações, e não serão divididos mais em dois reinos” (37:21, 22); ‘Israel’ é a igreja espiritual, a ‘nação’ é o bem dessa igreja, ou da doutrina. Que as nações sejam os bens, foi visto (n. 1259, 1260, 1416, 1849). O ‘reino’ designa os veros do bem; é evidente que as nações e os reinos significam coisa diferente do que nações e reinos, pois se diz dos filhos de Israel, dos israelitas, que eles serão reunidos e conduzidos sobre a sua terra, eles que, entretanto, dispersos entre as nações [inter gentes], transformaram-se em gentios [in gentes]. [3] Em Isaías: “Confundirei o Egito com o Egito, e pelejarão, o varão contra o seu irmão, e o varão contra o seu companheiro, cidade contra cidade, reino contra reino” (19:2); onde o ‘Egito’ designa os raciocínios provenientes dos conhecimentos sobre os veros da fé (n. 1164, 1165, 1168); a ‘cidade’ é o doutrinal, aqui um doutrinal herético (n. 402, 2268, 2450). O reino é o falso do doutrinal. Daí, ‘cidade contra cidade’ e ‘reino contra reino’ significam que as heresias e os falsos combateram uns contra os outros. O mesmo sucede com as palavras pronunciadas pelo Senhor sobre a consumação do século, em Mateus: “Elevar-se-á nação contra nação, e reino contra reino” (24:7); são os males contra os males e os falsos contra os falsos. [4] O que Daniel profetizou sobre os quatro reinos (Dn. 2:37–46; 7:17–28), e sobre os reinos da Média e da Pérsia (8:20–27), e sobre o rei do sul e o rei do norte (cap. 11); e o que João disse também, no Apocalipse, sobre os reis e os reinos, não significa outra coisa. E nessas passagens, pelos reinos, só se entendem os estados da igreja quanto aos veros e quanto aos falsos. Os estados monárquicos e os estados dos reinos da terra, no sentido da letra, são os estados da igreja e do Reino do Senhor, no sentido interno, sentido em que há somente coisas espirituais e celestes, porque a Palavra do Senhor, considerada em si mesma, não é senão espiritual e celeste; mas para que seja lida e compreendida por qualquer pessoa, as coisas que são do céu são transmitidas por coisas correspondentes na terra.