. Que ‘matar-me-ão por causa da palavra da minha esposa’ signifique que assim as coisas celestes da fé também pereceriam se pensassem que somente o espiritual vero podia ser conjunto ao celeste bem, vê-se pela significação de ‘matar’, que é perecer, e pela significação da ‘esposa’, que é o espiritual vero conjunto ao celeste bem (n. 2507). Há uma segunda razão pela qual foi assim pensado, e eis qual é essa razão: o Divino Bem, que é aqui denominado celeste bem, foi unido como por casamento ao Divino Vero, que aqui é denominado espiritual vero (n. 2508); e posto que o Divino Bem tenha sido assim unido ao Divino Vero só, a verdade é que ele influi nos veros inferiores e se cônjuge com eles, mas não como por um casamento, porque ele influi nos veros racionais, que são unicamente aparências do vero, e se cônjuge com eles; ele até influi também nos veros dos conhecimentos e das coisas sensuais, que não são outra coisa senão falácias, e se cônjuge com eles; e se tal não sucedesse, nunca homem algum poderia ser salvo (a este respeito, ver os n. 1831, 1832). É também para que o Divino Bem pudesse ser conjunto com os veros racionais e com os veros dos conhecimentos e das coisas sensuais, e que assim o homem pudesse ser salvo, que houve a vinda do Senhor ao mundo, porque, sem o Humano do Senhor feito Divino, jamais teria havido alguma conjunção. [2] Além desse arcano, há mesmo ainda muitos arcanos encerrados nestas palavras: “E matar-me-ão por causa da palavra da minha esposa”, pelas quais é significado que assim as coisas celestes da fé pereceriam caso se pensasse que somente o espiritual vero poderia ser conjunto ao celeste bem, a saber, este arcano, que assim, quando não se tivesse consideração pelo vero espiritual, o bem celeste pereceria também, porque esse vero sendo rejeitado, esse bem perece; depois também este arcano, que a não ser que se tivesse dito que adorassem o Pai ainda que não haja acesso a Ele senão pelo Filho, e que o que vê o Filho vê o Pai (João, 14:8–12), isso não teria sido recebido; além de outros arcanos ainda.