. ‘Disse Abimeleque: Eis a minha terra diante de ti’; que signifique a Percepção do Senhor sobre a Doutrina do amor e da caridade, é o que se vê pela significação de ‘dizer’, que é pensar (n. 2506); e pela significação da ‘terra’, que é a doutrina do amor e caridade; ‘terra’, no sentido interno, tem várias significações (n. 620, 636, 1066), mas o que ela significa, vê-se pela série das coisas. Com efeito, ela significa o homem externo da igreja quando o céu significa o homem interno (n. 82, 913, 1411, 1733); ela significa também a região onde está a igreja (n. 662, 1066); ela significa a própria igreja e, então, de um modo geral, o Reino do Senhor nos céus e nas terras, donde vem que a terra de Canaã, ou Terra Santa, o representava (n. 1437, 1586, 1607). O Novo Céu e a Nova Terra significam também a mesma coisa (n. 1733, 1850, 2117, 2118); e porque a ‘terra’ significa o homem da igreja, a igreja e o Reino do Senhor, ela significa ainda o que é o essencial, a saber, o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo, pois pendem daí (n. 537, 540, 547, 553, 2130). Por conseguinte, ela significa a Doutrina do amor e caridade, que pertence à igreja e que é aqui a ‘terra de Abimeleque’, porque ‘Abimeleque como rei’ significa a Doutrina da fé (como se mostrou), mas a sua terra, de onde ele é e onde ele está, significa a Doutrina do amor e caridade, donde e onde há a fé. [2] Se até agora o pensamento do Senhor foi sobre a Doutrina da fé, e se agora ele é sobre a Doutrina do amor e caridade, vem esse fato de que o Senhor juntou [adjunxit] o Humano ao Divino pelos veros que pertencem à fé, ainda que o tenha junto ao mesmo tempo pelos Divinos Bens, que pertencem ao amor, nos veros segundo a ordem pela qual também o homem se torna espiritual e celeste, mas não Divino tendo a vida em si como o Senhor. Contudo, quando o Casamento Divino do Vero com o Bem e do Bem com o Vero foi feito no Senhor, o que é significado pelo fato de Abimeleque ter restituído a Abrahão, Sarah, sua esposa (n. 2569), então o pensamento foi sobre a Doutrina do amor e caridade, e isso também segundo a ordem, pois quando o homem se torna espiritual e celeste, ele não pensa mais a partir do vero, mas pensa a partir do bem; contudo, não é a partir do Divino Bem unido ao Divino Vero, como o Senhor. Por isso a Doutrina do amor e caridade é mencionada agora pela primeira vez, embora a Doutrina da fé, considerada em si mesma, seja a mesma doutrina, e a Percepção e o Pensamento do Senhor tenham sido sempre oriundos do Amor Divino em cada uma das coisas da fé. Daí vem que a Doutrina do amor e caridade seja a Doutrina Divina mesma e a que foi cultivada nas igrejas antiquíssimas, e como fizesse um com a Doutrina da fé, os homens dessa igreja rejeitavam os que separavam essas doutrinas (n. 2417).