. ‘E com todos’; que signifique que o mesmo sucede com os veros que procedem dos veros racionais, a saber, os veros dos conhecimentos e das coisas dos sentidos, é o que se vê pelas coisas que acima foram ditas, e pela própria série, pois imediatamente antes se diz: “Eis que isso [será] para ti uma cobertura dos olhos para todos que estão contigo”, palavras pelas quais foram significados os veros racionais que são como um véu para os veros espirituais; e agora se diz, pela segunda vez, “com todos”, expressões pelas quais são, em consequência, significados veros ainda mais inferiores que procedem dos veros racionais, esses veros não são outros senão os que são chamados ‘veros dos conhecimentos’ e ‘veros sensuais’. Que os veros dos conhecimentos e os veros sensuais provenham dos veros racionais, é o que se vê pela ordem do influxo: os interiores influem nos exteriores, ou o que é o mesmo, os superiores influem nos inferiores, mas não se efetua o contrário. Parece, na realidade, que sucede de outro modo, isto é, que é pelos sensuais e pelos conhecimentos que o homem se torna racional, mas é uma falácia. O Bem que procede do Senhor influi juntamente pela faculdade racional do homem e vem ao encontro dos conhecimentos e os adapta a si; e tanto quanto ele pode adaptá-los a si e dissipá-los convenientemente, outro tanto ele se torna racional. Sucede com isso como com o bem e os veros que são ditos ‘da fé’. O bem pelo Senhor influi nos veros e os adapta a si, e quanto mais ele pode adaptá-lo a si, tanto mais o homem se torna espiritual, ainda que pareça que são os veros (que são ditos ‘veros da fé’) que influem e tornam o homem espiritual. Essa aparência é a causa de que hoje se cultive tanto o vero que pertence à fé e que não se pense a respeito do bem que pertence à caridade.