Texto
. ‘Esposa de Abrahão’; que signifique a fim de que o vero espiritual se conjungisse ao bem celeste, vê-se pela representação de ‘Sarah como esposa’, que é o vero espiritual de que se tratou (n. 1468, 1901, 2065, 2172, 2173, 2198, 2507); e pela representação de ‘Abrahão’, que é o bem celeste conjunto ao vero espiritual (n. 2011, 2172, 2198, 2501). Quer se diga o vero espiritual e o bem celeste quer se diga o Senhor, é o mesmo, porque o Senhor é o vero mesmo e o bem mesmo, assim como o casamento mesmo do vero e bem e do bem e vero. Como essas coisas se passam, é o que se pode ver, é verdade, pela explicação, mas como elas estão hoje no número das coisas obscuras, permite-se, tanto quanto for possível, ilustrá-las. Trata-se aqui da Doutrina da fé, sobre a qual o Senhor pensou [enquanto estava] na meninice, a saber, se era permitido entrar nela pelas coisas racionais e formar assim consigo ideias sobre essa doutrina. Se isto fora cogitado, provinha do amor do gênero humano de consultar, este é tal que o que ele não compreende de um modo racional, ele não crê; mas o Senhor percebeu pelo Divino que isso não deveria ser feito, razão por que pelo Divino revelou esse doutrinal para Si e, ao mesmo tempo, todas as coisas no universo que lhe estão sujeitas, a saber, as coisas racionais e as coisas naturais.
[2] Como ocorre com os doutrinais da fé nos homens, foi dito acima (n. 2568), a saber, que há nos homens dois princípios a partir dos quais eles pensam, o negativo e o afirmativo; e que é pelo princípio negativo que pensam aqueles que nada creem se não forem convencidos pelas coisas racionais e pelas coisas dos conhecimentos, e até pelas coisas sensuais; e que é pelo princípio afirmativo que pensam os que creem que tal coisa seja verdadeira porque o Senhor disse na Palavra, portanto, os que têm fé no Senhor. A respeito dos que estão no negativo que o que está na Palavra seja verdadeiro, dizendo em seu coração que então eles querem crer quando forem persuadidos pelas coisas racionais e pelas coisas do conhecimento; eis o que se passa com eles: eles não creem jamais, eles nem mesmo creriam se fossem convencidos pelas coisas sensuais do corpo, como pela vista e pelo ouvido e pelo tato, porque eles formariam sempre novos raciocínios contra essas condições e acabariam assim por extinguir inteiramente toda a fé e por mudar, ao mesmo tempo, a luz do racional em trevas, pois mudá-la-iam em falsos. Mas em relação aos que estão no afirmativo, isto é, os que creem que tal coisa é verdadeira porque o Senhor disse, eis o que lhes acontece: Eles são conjuntamente confirmados pelas coisas racionais e pelas coisas dos conhecimentos, e mesmo pelas sensuais, e as suas ideias são esclarecidas e corroboradas. Com efeito, o homem somente tem luz por meio das coisas racionais e das dos conhecimentos, é também o que cada um faz; entre eles, desse modo, a doutrina ‘vivendo vive’, e deles se diz que eles são curados e parem; mas com os outros a doutrina ‘morrendo morre’, e deles se diz que [JEHOVAH] fechando fechou o útero. Pelo que acaba de ser dito, vê-se o que é ‘entrar pelas coisas racionais na Doutrina da fé’ e o que é ‘entrar pela Doutrina da fé nas coisas racionais’; mas isso vai ser ilustrado por exemplos:
[3] Pela Doutrina da Palavra, é certo que o primeiro e o principal ponto da doutrina é o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo; os que estão no afirmativo sobre esse assunto podem tanto quanto se lhes permitir, entrar nas coisas racionais e nas coisas dos conhecimentos, mesmo nas sensuais, cada um segundo seu talento, seu conhecimento e sua experiência, e mesmo quanto mais eles entram, mais são confirmados, porque toda natureza está repleta de meios de confirmação. Ao contrário, os que negam que seja esse o primeiro e o principal ponto da doutrina e querem primariamente estar convencidos pelos conhecimentos e coisas racionais, nunca se deixam convencer, porque negam de coração e se apegam continuamente a um outro princípio que eles creem ser o essencial, e, afinal, pelas confirmações de seu princípio eles se cegam a ponto de não poderem mesmo saber nem o que é o amor ao Senhor nem o que é o amor em relação ao próximo, e porque se confirmam neste princípio: que não pode existir outro amor em que haja prazer senão o amor de si e do mundo, e isso a ponto de abraçarem o amor infernal (em vez de abraçarem o amor celeste), se não pela doutrina, pelo menos pela vida. Quanto aos que não estão no negativo nem no afirmativo, mas os que estão no dubitativo antes de negarem ou afirmarem, o seu estado é tal qual foi explicado (n. 2568), isto é, que os que se inclinam para vida do mal caem no negativo, enquanto os que para a vida do bem, [estes] são levados ao afirmativo.
[4] Seja um outro exemplo: um dos principais pontos da Doutrina da fé é que todo bem procede do Senhor e que todo mal provém do homem, ou de si próprio. Os que estão no afirmativo que isso é assim podem, por exemplo, se confirmar por numerosos meios racionais e dos conhecimentos, que nunca bem algum pode influir senão do bem mesmo, isto é, da fonte do bem, portanto, do Senhor; e que o princípio do bem não pode vir de outra parte, esclarecendo-se por todas as coisas que, em si mesmas, nos outros, no comum, e até em tudo que foi criado, são verdadeiramente bens. Mas os que estão no negativo se confirmam nos princípios opostos, por todas as coisas que eles pensam, até o ponto que, enfim, eles não sabem o que é o bem, disputando entre si sobre o que é o soberano bem [summum], ignorando que o bem celeste e espiritual que procede do Senhor seja o mais elevado, e pelo qual é vivificado todo bem que está embaixo, que o prazer daí proveniente seja verdadeiramente o prazer; alguns creem até que o prazer não pode vir de outra parte senão de si mesmo.
[5] Seja novamente por exemplo, que os que estão no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo podem receber os veros da doutrina e ter fé na Palavra, mas não os que estão na vida do amor de si e do mundo; ou, o que é o mesmo, os que estão no bem podem crer, mas não os que estão no mal. Os que estão no afirmativo podem confirmá-lo racionalmente e pelos conhecimentos por inúmeros meios; racionalmente, pelo fato que o vero e o bem estão em concordância, mas não o vero e o mal, e que como no mal existe todo falso, e se, contudo, o vero estiver com alguns maus, ele está neles nos lábios e não no coração. Pelos conhecimentos de mil modos, pelo fato que os veros fogem dos males, e que os males repelem os veros. Ao contrário, os que estão nos negativos se confirmam nisto, que cada um, seja ele qual for, embora vivesse em um ódio contínuo, nos prazeres da vingança e nas velhacarias, pode crer como os outros, e isto ainda quando rejeitam completamente o bem da vida proveniente da doutrina, o qual rejeitado, eles não creem coisa alguma.
[6] Para se ver ainda mais claramente como a coisa se passa, seja este exemplo: Os que estão no afirmativo que a Palavra foi escrita de tal sorte que tenha um sentido interno que não se manifesta na letra podem também se confirmar de muitos modos pelos racionais; por exemplo, no fato que existe, pela Palavra, um elo entre o homem e o céu, que há correspondência das coisas naturais com as coisas espirituais e que estas não se apresentam do mesmo modo que aquelas; que as ideias do pensamento interior sejam absolutamente diferentes das ideias materiais que caem nas palavras das línguas; que o homem, enquanto está no mundo, pode também estar no céu pela Palavra, que é para um e o outro mundo, porque ele nasceu para uma e outra vida; que uma sorte de luz Divina influa em alguns, nos intelectuais e nas afeições, enquanto se lê a Palavra; que seja indispensável [necessum] que tenha havido alguma coisa escrita, que tenha descido do céu e que assim esse escrito não possa ser em sua origem tal qual ele é na letra; que o que é santo somente o pode ser por uma certa santidade que está por dentro. Eles podem mesmo se confirmar pelos conhecimentos, por exemplo, que outrora se tenha estado nos representativos, e que os escritos da Igreja Antiga foram tais; até mesmo que os escritos de muitos dentre as nações tenham vindo também daí; e que o estilo [por meio de representativos] tinha sido venerado como santo nas igrejas e como erudito [doctus] entre as nações. Os livros de muitos podem também ser recordados. Porém, os que estão no negativo, se não negam todas essas coisas, o fato é que eles não as creem e se persuadem de que a Palavra seja tal qual ela é na letra, parecendo como coisa mundana, mas que é, contudo, espiritual. Onde está oculto o espiritual é coisa de que não se inquietam, mas querem por um grande número de razões que ele ali esteja, e isso eles podem confirmar por muitos modos.
[7] Para que a coisa possa até ser compreendida pelos simples, seja também para exemplo o que pertence ao conhecimento. Os que estão no afirmativo que a vista pertence não aos olhos, mas ao espírito, que, pelos olhos, como pelo órgão de seu corpo, vê as coisas que estão no mundo, esses podem se confirmar de muitos modos, por exemplo, pelas palavras que são entendidas, no fato que elas se dirigem para alguma vista interior e nela são transformadas, o que não poderia ter lugar se não existisse uma vista interior; e mais, tudo que é pensado se vê por intermédio de uma vista interior, por uns mais claramente, e pelos outros mais obscuramente. Além disso, os objetos que impressionam a imaginação se apresentam bastante semelhantes aos que impressionam a vista; como também, considerando que o espírito, que está no corpo, não visse como os olhos como órgão, aprenderam, o espírito na outra vida não poderia ser coisa alguma, quando, entretanto, não pode suceder outra coisa senão que ele deve ver lá coisas inúmeras e estupendas, que os olhos do corpo nunca podem perceber. Além disso, eles podem refletir sobre os sonhos, principalmente os dos profetas, durante os quais muitos objetos foram igualmente vistos, e isso não pelos olhos. Finalmente, aquele que tem conhecimentos filosóficos pode se confirmar por este fato mesmo, que os exteriores não podem entrar nos interiores, como também os compostos não o podem nos simples, que, por conseguinte, as coisas que pertencem ao corpo não podem entrar nas que pertencem ao espírito, mas que é o contrário. Existem, além disso, muitos outros meios de confirmação, de sorte que, por fim, eles se persuadem de que a vista pertence ao espírito e não aos olhos, a não ser pelo espírito. No entanto, os que estão no negativo dizem que todas essas coisas são ou naturais ou fantasias; e quando se lhes diz que o espírito é dotado e frui de uma vista muito mais perfeita do que do homem no corpo, eles zombam disso e rejeitam isso entre as tolices, crendo então que devem viver nas trevas por isso, que estão privados da vista dos olhos, quando é absolutamente o contrário, pois se está então na luz.
[8] Por esses exemplos se vê claramente o que é entrar a partir dos veros nas coisas racionais e nas dos conhecimentos, e o que é entrar pelas coisas dos conhecimentos e pelas racionais nos veros, isto é, que o primeiro está de acordo com a ordem, enquanto o segundo é contrário à ordem; e que o homem, quando atua segundo a ordem é iluminado, enquanto pelos falsos ele fica cego. Daí fica claro quanto necessita que conheça e creia os veros. Pelos veros, com efeito, o homem é iluminado, mas pelos falsos fica cego. Pelos veros, abre-se, para o racional, um campo imenso e quase ilimitado; mas pelos falsos, embora isso não pareça assim, o campo é relativamente quase nulo. Daí essa tão grande sabedoria entre os anjos, porque eles estão nos veros, pois o vero é a luz mesma do céu.
[9] Os que se cegaram por não querer crer senão o que eles apreendessem pelos sentidos ao ponto que, enfim, eles nada creram, foram outrora chamados as ‘serpentes da árvore da ciência’. Com efeito, pelas coisas dos sentidos e, daí, pelas falácias, que caem facilmente na compreensão e na fé do homem, eles raciocinaram muito e seduziram muito (ver n. 195, 196). Na outra vida eles se distinguem facilmente dos outros espíritos pelo fato de raciocinarem sobre tudo que pertence à fé para decidirem se tal coisa é assim, e quando se lhes mostra mil e mil vezes que ela é assim, eles sempre levantam contra cada meio de confirmação dúvidas negativas, e isso até mesmo que se discutisse com eles durante a eternidade. Em consequência, eles se negaram a ponto de não terem o senso comum, isto é, de não poderem compreender o que é o bem e o que é o vero, e, contudo, cada um deles pensa ser mais sábio do que todos que estão no universo, pondo a sabedoria, por exemplo, em poder quebrar e deduzir o que é Divino do natural. Muitos dos que foram estimados como sábios mais do que os outros no mundo são tais, pois quanto mais alguém excede em gênio e em ciência e está no negativo, tanto mais ele se torna insensato acima de todos os outros. Ao contrário, quanto mais alguém excede em gênio e em ciência e está no afirmativo, tanto mais ele pode tornar-se sábio. Nunca se proibiu cultivar o racional pelas ciências; mas é vetado obstinar-se contra os veros da fé que são os veros da Palavra.
[10] No sentido interno da Palavra, principalmente da Palavra profética, trata-se muito desses sábios do mundo quando se trata de Asshur e do Egito, porque Asshur significa o raciocínio (n. 119, 1186), e o Egito significa o conhecimento (n. 1164, 1165, 1186, 1462). Dos que pelas coisas do conhecimento e pelas coisas racionais, querem entrar nos doutrinais da fé e nas coisas Divinas, e que por esse modo se tornam insensatos, deles se fala assim em Isaías:
“Confundirei o Egito com o Egito, e pelejarão, o varão contra o seu irmão e o varão contra o seu companheiro, cidade contra cidade e reino contra reino. E se esgotará o espírito do Egito no meio dele e o seu conselho absorverei; [...] Faltarão as águas do mar, e o rio se secará e se esgotará. ...e se retirarão os rios, abaixar-se-ão e secar-se-ão os rios do Egito, o caniço e o junco murcharão. ...toda semente do rio secará. [...] JEHOVAH misturou no meio dele o espírito das perversidades, e fizeram errar o Egito em toda sua obra, como se revolve um ébrio no seu vômito” (19:2–7, 14).
No mesmo:
“Ai dos filhos refratários,... que vão descer ao Egito, mas a minha boca não interrogaram, para se fortificarem com a força do faraó, e para se confiarem na sombra do Egito. E ser-vos-á a força de faraó como uma vergonha, e a confiança na sombra do Egito como uma ignomínia” (Is. 30:1–3).
No mesmo:
“Ai dos que desceram ao Egito para auxílio, e sobre cavalos se apoiam, e confiam sobre carros, porque [são] muitos,... mas não olham para o Santo de Israel, e a JEHOVAH não buscam. [...] e JEHOVAH estenderá a sua mão, e tropeçará o que trouxer auxílio, e cairá o auxiliado, e todos eles juntos serão consumidos. [...] E cairá Asshur pela espada não de um varão, e a espada não de um homem destrui-lo-á; ...” (Is. 31:1, 3, 8).
Em Jeremias:
“Dois males fez o meu povo: abandonaram a Mim, fonte das águas vivas, para cavar para si cisternas, cisternas rotas, que não contêm água. É Israel um servo? Se é um nascido da casa, por que se fez de preza? [...] Não te fazes a si isto abandonando JEHOVAH teu Deus no tempo em que te conduz pelo caminho? E agora o que te [importa] o caminho do Egito para beberes as águas de Shihor? Ou o que [importa] a ti o caminho de Asshur para beberes as águas do rio? [...] Ó geração! Considerai vós a palavra de JEHOVAH! Será que fui um deserto para Israel? Ou uma terra de trevas? Por que disse o meu povo: dominaremos, não viremos mais a ti? [...] Por que vais precipitadamente para mudar o teu caminho? Também do Egito serás envergonhada, como foste envergonhada por Asshur” (2:13, 14, 17, 18, 31, 36).
No mesmo:
“Escutai a palavra de JEHOVAH, ó relíquias de Judá; assim disse JEHOVAH Zebaoth, Deus de Israel: Se pondo puserdes as vossas faces para virdes ao Egito e virdes para peregrinar ali; e acontecerá [que] a espada que vós temeis por vós, ali vos prenderá na terra do Egito; e a fome que vós receais, ali vos pegará no Egito, e ali morrereis. E sucederá que todos os varões que puseram as suas faces para entrar no Egito para lá peregrinarem morrerão à espada, de fome e de peste e não há quem reste ou escape diante do mal que eu farei vir sobre vós” (Jr. 42:15–17 e seg.)
Em Ezequiel:
“E saberão todos os habitantes do Egito, que Eu sou JEHOVAH, porque se fizera um bastão de cana para a casa de Israel; prendendo-te eles pela mão [tu] te rompeste, e lhes fendestes todo o ombro, e quando eles se encostaram sobre ti, te quebraste, e lhes fizeste estar imóveis a todos os lombos. Portanto, assim diz o Senhor JEHOVIH: Eis que Eu trarei sobre ti a espada, e farei cortar de ti o homem e a besta. E se tornará a terra do Egito em desolação e devastação, e saberão que Eu [sou] JEHOVAH, pois disse: O rio [é] para mim, e eu [o] fiz” (29:6–8, e seguintes).
Em Oseias:
“Foi Efraim como uma pomba estulta; ao Egito invocavam, foram [para] Asshur. Quando forem, estenderei sobre eles a minha rede... Ai deles, porque se retiraram de mim” (7:11–13).
No mesmo:
“Efraim se apascenta de vento, e persegue o vento oriental, cada dia a mentira e a devastação [ele] multiplica; e tratam aliança com Asshur, e o azeite é levado para o Egito” (Os. 12:2 [Em JFA, 12:1]).
No mesmo:
“Israel escortou sob o seu deus; preferiste o salário sobre todas as eiras de frumento. [...] Voltará Efraim ao Egito, e em Asshur o [que é] imundo comerão. [...] Porque, eis que [eles se] foram por causa da devastação; e o Egito os reunirá, Moph enterrá-los-á; o que [for] desejável a sua prata o espinho possuirá, o cardo [estará] nas tendas deles. [...] E Ferido foi Efraim; a raiz deles se secou, não produzirão fruto mesmo quando gerassem, e matarei os desejos do ventre deles. Rejeitá-los-á o meu Deus, porque O não ouviram, e andarão errantes entre as nações” (9:1, 3, 6, 16, 17).
Em Isaías:
“Ai de Asshur, vara da minha ira, e o bastão, na mão deles, [é] a minha indignação; ...este não pensa retamente, e o coração dele não medita retamente, porque no seu coração [deseja] perder e exterminar não poucas nações, pois diz: Não [são] os meus príncipes ao mesmo tempo reis? [...] visitarei sobre o fruto da altivez do coração do rei de Asshur; porque disse: Na força da Minha mão o fiz, e na Minha sabedoria, porque sou inteligente, e deslocarei os limites dos povos, e os seus tesouros saquearei, e expulsarei, como poderoso, os habitantes. [...] Por isso enviará, o Senhor dos senhores Zebaoth, sobre os gordos dele, a magreza, e em lugar da sua glória será aceso em imenso incêndio de fogo” (10:5, 7, 8, 12, 13, 16).
[11] Em todas essas passagens ‘Asshur’ significa, como foi explicado, o raciocínio; o ‘Egito’ e ‘faraó’ o conhecimento; ‘Efraim’ o intelectual; e se descreve, assim como em muitos outros lugares, o que se torna o racional do homem quando ele raciocina pelo negativo sobre os veros da fé. Semelhante coisa foi significada, quando Rabsaqué, enviado pelo rei de Asshur, falou contra Jerusalém e contra o rei Ezequias, em que o Anjo de JEHOVAH feriu então, no campo do rei de Asshur, cento e oitenta e cinco mil homens, coisas de que se trata em Isaías, cap. 36 e 37, pelas quais é significado que destruição se faz dos racionais do homem quando ele raciocina contra as coisas Divinas, ainda que pareça ao próprio homem que então ele é sábio.
[12] Esse raciocínio é também chamado muitas vezes ‘escortação com os filhos do Egito e com os filhos de Asshur’; como em Ezequiel:
“[Tu] te prostituíste [scortata es] com os filhos do Egito, teus vizinhos, grande carne, e multiplicaste a tua escortação, e te prostituíste [scortata es] com os filhos de Asshur, sem que se saciaste” (16:26, 28; 23:3, 5–21; ver n. 2466).
[13] Dos que, ao contrário, entram pela Doutrina da fé nas coisas racionais e nas dos conhecimentos e que daí se tornam sábios [inde sapiunt], deles se fala assim em Isaías:
“Nesse dia haverá um altar a JEHOVAH no meio da terra do Egito, e um pilar perto do limite deles a JEHOVAH. E será para sinal e testemunho a JEHOVAH Zebaoth na terra do Egito; pois clamarão a JEHOVAH por causa dos opressores, e mandar-lhes-á um salvador e príncipe, e libertá-los-á. E JEHOVAH se fará conhecido no Egito, e os egípcios conhecerão JEHOVAH naquele dia, e farão sacrifício e minchah, e dedicarão um voto a JEHOVAH, e cumprirão” (19:18–21).
No mesmo:
“Nesse dia haverá uma vereda desde o Egito até Asshur, e virá Asshur ao Egito, e servirão os egípcios a Asshur;... Nesse dia será Israel terceiro ao Egito e a Asshur, uma bênção no meio da terra; porque JEHOVAH Zebaoth abençoará, dizendo: Bendito o Meu povo, o Egito, e a obra das Minhas mãos, Asshur; e Minha herança, Israel” (Is. 19:23–25);
onde se trata da igreja espiritual; o seu espiritual é ‘Israel’, seu racional é ‘Asshur’, e o seu conhecimento é o ‘Egito’; e essas três coisas constituem as coisas intelectuais dessa igreja, que se sucedem nessa ordem; é por isso que se diz: “nesse dia Israel será em terceiro ao Egito e a Asshur; e bendito [seja] o Meu povo, o Egito, e a obra das Minhas mãos, Israel”.
[14] No mesmo:
“Sucederá nesse dia que se tocará em buzina grande, e virão os que se tinham perdido na terra de Asshur, e os que [tinham sido] expulsos da terra do Egito, e se prostrarão diante de JEHOVAH no monte da santidade, em Jerusalém” (Is. 27:13).
No mesmo:
“Assim disse JEHOVAH: O trabalho do Egito, e as mercadorias de Cush e dos sabeus, varões de porte, passarão contigo, e serão de ti, e atrás de ti irão, e diante de ti se prostrarão, e a ti orarão, [dizendo], somente em ti [está] Deus, e não há outro Deus” (Is. 45:14);
‘Cush’ e ‘sabeus’ são as cognições (n. 117, 1171). Em Zacarias:
“Egito subirá a Jerusalém para adorar o rei JEHOVAH Zebaoth” (14:17, 18).
Em Miqueias:
“Eu olho para JEHOVAH, espero o Deus da minha salvação, escutar-me-á o meu Deus. [...] dia para edificar os teus muros, nesse dia; ... e virão a Ti, desde Asshur,as cidades do Egito, e desde o Egito até ao rio” (7:7, 11, 12).
[15] Em Ezequiel:
“Assim disse o Senhor JEHOVIH: No fim de quarenta anos ajuntarei o Egito dentre os povos que foram dispersos. E reconduzirei do cativeiro do Egito” (29:13, 14).
No mesmo:
“Eis que Asshur [era] um cedro no Líbano, belo pela folhagem, e uma floresta umbrosa, e alto em elevação; e entre os ramos espessos estava a sua copa. As águas o fizeram crescer, com as suas correntes corria em torno do seu plantio, e os seus regalos [aquæductus] enviavam a todas as árvores do campo. Por isso se elevou a sua estatura sua sobre todas as árvores do campo; e se multiplicaram os seus ramos, e se alongaram os seus ramos por causa das muitas águas. Nos seus ramos se aninhavam todas as aves dos céus, e debaixo dos seus ramos geraram todas as feras do campo, e na sombra dele habitaram todas as nações grandes. E bela se tornou na sua grandeza, no comprimento dos seus ramos, porque a raiz dele estava junto às muitas águas. Os cedros não o escureciam no jardim de Deus; os abetos não foram iguais aos seus ramos; toda árvore no jardim de Deus não foi igual a ele na sua beleza. Belo o fiz na multidão dos seus ramos, e tiveram inveja dele todas as árvores de Eden, que [estavam] no jardim de Deus” (Ez. 31:3–8).
Descreve-se a Igreja Antiquíssima, que era celeste; aqui se descreve o seu racional tal qual foi e, por conseguinte, a sua sabedoria e a sua inteligência, porque essa igreja considerava, a partir das coisas Divinas, as coisas que eram inferiores; assim, a partir dos bens ela considerava os veros e, por conseguinte, as coisas que daí dependem; ‘Asshur’ e o ‘Cedro’ significam o racional; a ‘copa em que estavam os seus ramos’ designa as coisas do conhecimento; as ‘correntes e as águas’ são os bens espirituais perto dos quais estava a sua ‘raiz’; a ‘altura e o comprimento dos ramos’ são a sua extensão; o ‘jardim de Deus’ é a igreja espiritual; as ‘árvores de Eden’ são as percepções; por esse modo e pelo que se disse acima, vê-se qual é o racional e qual é o conhecimento do homem, quando eles são subordinados aos veros Divinos e quando eles os servem confirmando.
[16] Que as coisas racionais e as que pertencem ao conhecimento servem aos que estão no afirmativo como meio de adquirir sabedoria, é o que é representado e significado pela ordem dada aos filhos de Israel para pedirem em troca aos egípcios vasos de ouro, vasos de prata e vestimentas (Êx. 3:22; 11:2; 12:35, 36); e igualmente pela promessa que se lhes fez muitas vezes na Palavra, que eles possuiriam os bens das nações, as casas, as vinhas, as oliveiras e muitas outras coisas; como também no fato que se lhes disse que o ouro e a prata que eles arrebatariam as nações se tornariam coisas santas, por exemplo, em Isaías:
“JEHOVAH visitará Tiro, e [ela] voltará ao salário do seu meretrício, e se escortará com todos os reinos da terra sobre as faces do húmus; e se tornará o seu comércio, e o salário do seu meretrício [uma coisa] Santa a JEHOVAH; não se recordará nem se reporá, porque para os habitantes perante JEHOVAH será o seu comércio para que comam até se saciarem e para a vestimenta durável” (23:17, 18);
o ‘comercio de Tiro’ são as cognições (n. 1201), as quais àqueles que estão no negativo são ‘um salário de meretrício’, mas àqueles que estão no afirmativo são as coisas santas. A mesma coisa também é entendida por estas palavras do Senhor:
“Fazei para vós amigos do mamon da injustiça, a fim de que, quando necessitardes, vos recebam nos tabernáculos eternos. Se no injusto mamon fiéis não fordes, quem vos confiará o verdadeiro?” (Lc. 16:9, 11).
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